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ONU abre inquérito sobre morte de civis em bombardeamento dos EUA no Afeganistão

MASSOUD HOSSAINI/GETTY IMAGES

Quatro crianças e três mulheres terão morrido na sequência de um projétil balístico que atingiu no sábado a casa de um professor na província de Kapisa, zona vizinha da capital afegã (Cabul), referiu a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão num comunicado

A ONU anunciou esta terça-feira a abertura de um inquérito sobre a presumível morte de nove civis durante um bombardeamento conduzido pelas forças militares norte-americanas no nordeste do Afeganistão, informação que é rejeitada pelos Estados Unidos.

Quatro crianças e três mulheres terão morrido na sequência de um projétil balístico que atingiu no sábado a casa de um professor na província de Kapisa, zona vizinha da capital afegã (Cabul), referiu a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA, na sigla em inglês), num comunicado.

Outras seis pessoas ficaram feridas, acrescentou a missão da ONU, que cita “múltiplas e credíveis denúncias”.

Todas as vítimas pertenciam à mesma família, “incluindo avós e crianças com idades compreendidas entre os dois e os 12 anos”, precisou a mesma nota informativa da missão, que também expressou a sua preocupação perante “o crescente número de vítimas civis” na sequência de ataques aéreos no Afeganistão.

O incidente ocorreu durante operações realizadas por forças pró-governamentais contra os talibãs.

O porta-voz do exército norte-americano no Afeganistão, David Butler, reconheceu que "a coligação militar realizou operações aéreas em apoio do exército afegão sob fogo”.

“O alvo foi eliminado, os insurgentes que atiravam contra os nossos parceiros foram mortos. (…) Apenas os rebeldes”, salientou o representante.

Um inquérito sobre esta situação conduzido pelas forças norte-americanas concluiu que nove insurgentes tinham morrido durante a operação militar.

O exército dos Estados Unidos tinha referido anteriormente que tinha atuado em “legítima defesa” depois de um helicóptero norte-americano ter sido alvo de um ataque perpetrado por uma milícia local.

Os seis membros da tripulação do helicóptero acabaram por sofrer ferimentos e foram tratados num hospital norte-americano.

A agência noticiosa francesa France-Presse (AFP) mencionou hoje ainda um outro bombardeamento que terá matado na segunda-feira uma dezena de civis na província de Wardak, a leste de Cabul.

“Uma operação foi realizada para expulsar os talibãs do distrito” de Jaghato, indicou hoje, em declarações à AFP, o porta-voz do governador da província, Abdul Rahman Mangal.

“Mais de 40 talibãs foram mortos, mas não temos conhecimento de baixas civis”, disse o porta-voz.

Nos primeiros seis meses do ano corrente, os ataques aéreos em território afegão provocaram 149 mortos e 204 feridos, o que representou um aumento de 52% em comparação com o mesmo período de 2017, segundo a UNAMA.

A ONU atribui 52% destas mortes ao exército afegão, 45% às forças militares internacionais (lideradas pelos Estados Unidos) e 3% às forças pró-governamentais.

Cerca de 7% das vítimas civis registadas no conflito afegão durante o primeiro semestre de 2018 são atribuídas a operações aéreas.