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“Não vou deixar que falsas acusações nos retirem do processo”, disse Kavanaugh ao lado da mulher

REUTERS/Joshua Roberts

Em entrevista à Fox News, o juiz indicado por Trump para o Supremo Tribunal dos EUA garantiu que não ia “a lado nenhum”, apesar das alegações de conduta sexual imprópria contra ele. “Estamos à procura de um processo justo em que eu possa defender a minha integridade, o meu histórico de uma vida a promover a dignidade e a igualdade para as mulheres”, disse Brett Kavanaugh

O candidato do Presidente Donald Trump para o Supremo Tribunal dos EUA, Brett Kavanaugh, disse esta segunda-feira que não vai deixar que “falsas acusações” o afastem do processo de nomeação. Em entrevista à Fox News, ao lado da mulher, o juiz garantiu que não ia “a lado nenhum”, apesar das alegações de conduta sexual imprópria contra ele.

As declarações surgem um dia depois de uma antiga colega da Universidade de Yale, Deborah Ramirez, ter relatado à revista “The New Yorker” um incidente durante uma festa de dormitório no ano letivo de 1983-84. Ramirez e Kavanaugh estariam a participar num jogo de bebida, com várias pessoas sentadas em círculo. “Lembro-me de um pénis estar à frente da minha cara. Eu sabia que não era isso que eu queria, mesmo naquele estado de espírito”, disse Ramirez.

Ela afirma ter sido ridicularizada e insultada, acabando por tocar nos órgãos genitais inadvertidamente, enquanto tentava empurrar o homem para longe. “Eu não ia tocar num pénis antes de me casar”, disse, referindo-se à sua devota educação católica. “Senti-me envergonhada e humilhada”, acrescentou. Ramirez afirma lembrar-se de Kavanaugh de pé, à sua direita, a rir-se e a puxar as calças para cima. Agora com 53 anos, a mulher reconhece falhas de memória causadas pelo álcool ingerido naquela noite, o que a terá feito hesitar em avançar quando foi contactada.

Kavanaugh nega estas alegações, assim como outras que emergiram uma semana antes e que recuam aos tempos de liceu, quando ele tinha 17 anos e a acusadora, Christine Blasey Ford, tinha 15. A agora professora irá testemunhar perante a comissão de Justiça do Senado, devendo seguir-se o testemunho de refutação do juiz. Ford alega que Kavanaugh, em estado de embriaguez, tentou tirar-lhe a roupa, prendeu-a numa cama e tapou-lhe a boca durante uma festa.

“Estamos à procura de um processo justo em que eu possa ser ouvido e defender a minha integridade, o meu histórico de uma vida a promover a dignidade e a igualdade para as mulheres, começando com as mulheres que me conheciam quando eu tinha 14 anos”, disse o juiz à Fox News. “Eu não contesto e não contestei que talvez a doutora Ford, em algum momento da sua vida, tenha sido agredida sexualmente por alguém nalgum lugar. Mas o que eu sei é que nunca agredi sexualmente ninguém”, garantiu.

Apesar de nenhuma das alegações incluir violação ou relações sexuais consentidas, Kavanaugh afirmou que foi virgem durante “muitos anos” depois de terminar o liceu.

O advogado Michael Avenatti, que representa a atriz de filmes pornográficos Stormy Daniels nos seus casos contra Trump, revelou entretanto que também representava uma terceira mulher com “informações credíveis” sobre mais alegações de conduta sexual imprópria contra o juiz. O advogado disse que esperava que a sua cliente avançasse com o seu relato no espaço de 48 horas.

Além do apoio reiterado de Trump, que insiste que as acusações contra Kavanaugh, “um homem perfeito com um passado irrepreensível”, são “totalmente políticas”, a conselheira presidencial Kellyanne Conway disse esta segunda-feira: “Está a começar a parecer uma vasta conspiração de esquerda.” A frase, como foi notado por vários comentadores, fez lembrar a reação de Hillary Clinton, há duas décadas, às alegações de infidelidade contra o seu marido, o então Presidente Bill Clinton, referindo-se a elas como uma “vasta conspiração de direita”.