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Lava Jato faz buscas em Lisboa para descobrir o que Mário Ildeu de Miranda trouxe para Portugal

Paulo Whitaker/Reuters

Em nota enviada ao Expresso, o Ministério Público Federal revelou que a 51.ª fase da operação, que remonta a 8 de maio, previa a prisão preventiva de Ildeu de Miranda, mas que esta nunca aconteceu, pois, na véspera, este operador financeiro fugiu para Portugal. Com ele, trouxe para a capital portuguesa “quatro grandes malas de viagem e os seus dispositivos eletrónicos”

A Lava Jato desenrola-se fora de portas pela segunda vez desde que a investigação arrancou no Brasil. A 54.ª fase da operação teve lugar esta terça-feira em Portugal, com cinco mandados de busca e apreensão em moradas de Lisboa: o operador financeiro Mário Ildeu de Miranda é o visado.

Em nota enviada ao Expresso, o Ministério Público Federal (MPF) revelou que a 51.ª fase da operação, que remonta a 8 de maio, previa a prisão preventiva de Ildeu de Miranda, mas que esta nunca aconteceu, pois, na véspera, este operador financeiro fugiu para Portugal. Com ele, trouxe para a capital portuguesa “quatro grandes malas de viagem e os seus dispositivos eletrónicos”. Uma semana depois, Ildeu de Miranda apresentou-se nas autoridades brasileiras, mas sem o que terá trazido para Lisboa.

“Assim, as buscas nos endereços de Mário Ildeu de Miranda, realizadas nesta data em Lisboa, têm por objetivo apreender os documentos e dispositivos eletrónicos que possam estar escondidos naquele país, além de identificar provas de outros crimes, ainda não denunciados, para a continuidade das investigações”, informa o MPF. Este operador financeiro pagou cerca de dois milhões de euros para ficar em liberdade.

De acordo com o MPF, os mandados de prisão e de busca emitidos em maio respondiam às investigações que revelavam o “pagamento de propina” superior a 11,6 milhões de euros entre 2010 e 2012. O dinheiro resulta de uma “obtenção fraudulenta de um contrato” de quase 170 milhões de euros assinado em 2010 pela Petrobras com a Construtora Norberto Odebrecht.

“Parte dos pagamentos de vantagens indevidas foram realizados mediante estratégias de ocultação e dissimulação, contando com a atuação do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, e com a participação decisiva de Mário Ildeu de Miranda para que os recursos [no valor de 2,37 milhões de euros] chegassem a contas secretas mantidas no exterior por funcionários corrompidos da Petrobras”, revela o MPF.

Esta é a segunda vez que a Lava Jato atua fora do Brasil, sendo que é a segunda vez que intervém em Lisboa. No dia 21 de março de 2016, lembra o “Estadão”, o MPF esteve na capital portuguesa para investigar o operador financeiro Raul Schmidt Felippe Junior.