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É difícil negociar quando os EUA põem “uma faca no pescoço da China”, diz vice-ministro do Comércio

Wang Shouwen, vice-ministro chinês do Comércio

GREG BAKER/AFP/Getty Images

O governante chinês fez depender o retomar das conversações da “vontade” dos norte-americanos. A China está a ser obrigada a retaliar e os exportadores americanos, incluindo os fornecedores de gás natural liquefeito, serão “certamente” prejudicados, acrescentou Wang Shouwen. No entanto, o vice-ministro afirmou que a situação atual abre a porta a outros países, nomeadamente à Austrália

O vice-ministro chinês do Comércio, Wang Shouwen, disse esta terça-feira que é difícil continuar as negociações com os EUA quando Washington põe “uma faca no pescoço da China”. Em conferência de imprensa, o governante fez depender o reinício das conversações da “vontade” dos norte-americanos.

A China está a ser obrigada a retaliar contra os Estados Unidos na disputa comercial entre os dois países e os exportadores americanos, incluindo os fornecedores de gás natural liquefeito, serão “certamente” prejudicados, acrescentou Shouwen. No entanto, o vice-ministro afirmou que a situação atual abre a porta a outros países.

A retaliação de Pequim vai proporcionar oportunidades para outros exportadores de gás natural liquefeito, precisou, sublinhando que a Austrália é uma importante fonte de combustível para a China.

China exige negociações “baseadas em respeito mútuo e igualdade”

Esta segunda-feira, Washington e Pequim impuseram novas taxas alfandegárias sobre os produtos um do outro. Segundo a agência de notícias Reuters, as duas maiores economias do mundo não mostraram sinais de recuar numa guerra comercial cada vez mais acirrada, que deverá afetar o crescimento económico global.

As autoridades chinesas dizem-se dispostas a reiniciar as negociações comerciais com os EUA se estas forem “baseadas em respeito mútuo e igualdade”, de acordo com um documento publicado pelo Conselho de Estado.

Na mesma conferência de imprensa, o representante do comércio internacional da China, Fu Ziying, afirmou que os Estados Unidos têm a ganhar com o comércio sino-americano. Embora a China tenha um excedente comercial com os EUA, estes têm um excedente de lucro com a China, lembrou.

  • O Conselho de Estado em Pequim publicou esta segunda-feira um relatório acusando a Administração norte-americana de "unilateralismo, protecionismo e hegemonismo económico" usando práticas de bullying no comércio internacional. O documento sai no dia em que entra em vigor um segundo pacote de taxas aduaneiras aplicadas pelos dois lados. Mercados na Europa abrem no vermelho

  • Os Estados Unidos aplicam a partir de 24 de setembro uma taxa de 10% sobre uma nova lista de importações da China no valor de 200 mil milhões de dólares (€170 mil milhões), anunciou esta segunda-feira à noite o presidente norte-americano. A partir de janeiro, a taxa sobe para 25%. Trump ameaçou com uma terceira fase que abarque todas as importações da China