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Cidadãos europeus não terão qualquer direito de preferência se quiserem emigrar para o Reino Unido depois do Brexit

Christopher Furlong/Getty

Os ministros de Theresa May, primeira-ministra britânica, acordaram, por unanimidade, em não oferecer qualquer preferência aos cidadãos europeus que queiram ir trabalhar para o Reino Unido depois da saída do país da União Europeia. Porém, fontes governamentais dizem que uma versão "leve" das restrições atualmente em vigor para os restantes países do mundo podem vir a fazer parte de um acordo com Bruxelas - se houver um acordo com Bruxelas

Os cidadãos provenientes de países europeus que desejem emigrar para o Reino Unido vão estar sujeitos às mesmas regras de aceitação de mão-de-obra externa que hoje existem para os países fora do bloco europeu. O corpo de ministros de Theresa May, primeira-ministra britânica, aprovou esta terça-feira, por unanimidade, um sistema de imigração assente nas competências profissionais e/ou académicas dos potenciais imigrantes, escreve a BBC.

O acordo baseia-se numa recomendação do Comité Independente para Imigração, que também é apoiado pelo partido trabalhista, o maior partido da oposição no Reino Unido. Mas alguns representantes da indústria e do comércio temem que uma limitação à entrada de imigrantes não-especializados venha a afetar a economia já que em certos setores, como na restauração ou na agricultura, a mão-de-obra europeia é essencial.

Só que Theresa May tem sempre tentado descansar as alas mais conservadoras do seu partido - e do eleitorado - com a promessa de que a imigração “sem freio” que chega da Europa seria reduzida. Como escreve a editora de política da BBC, Laura Kuenssberg “acabar com a liberdade de movimento no formato em que ela hoje existe tornou-se um ponto não negociável para Theresa May”.

Mesmo dadas as garantias de May e o voto por unanimidade dos seus ministros, fontes próximas das negociações na área da imigração disseram à BBC que “ainda não está tudo decidido” e que “uma versão leve” das regras impostas aos cidadãos dos outros países faria parte do acordo final.

Já Hilary Benn, deputado dos trabalhistas e diretor do Comité Permanente para o Brexit na Câmara dos Representantes, discorda da abordagem de May. “Teria sido mais sensível dar algum tipo de preferência aos cidadãos europeus já que queremos manter uma posição o mais próxima possível dos parceiros europeus”, disse à margem do congresso dos trabalhistas que se realizou em Liverpool no início da semana.