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Arábia Saudita rejeita qualquer ligação com ataque em desfile militar no Irão

ATTA KENARE/Getty

Líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, declarou na segunda-feira que o atentado tinha sido da responsabilidade “dos mesmos indivíduos que, sempre que estão com dificuldades na Síria e no Iraque, são socorridos pelos norte-americanos”

A Arábia Saudita rejeitou nesta terça-feira qualquer ligação com o ataque perpetrado no sábado passado, no Irão, durante um desfile militar, qualificando como "lamentáveis" as acusações lançadas por Teerão, informou a agência oficial saudita SPA. "O reino rejeita completamente as acusações falsas e lamentáveis das autoridades iranianas sobre um apoio do reino aos incidentes que ocorreram no Irão", referiu a SPA, citando um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita.

O atentado ocorrido no sábado passado em Ahvaz, na região sudoeste do Irão, fez 24 mortos e cerca de 60 feridos. Segundo divulgou na altura a agência de notícias iraniana Irna, homens armados e vestidos com uniformes abriram fogo contra a multidão que assistia a um desfile militar em Ahvaz.

Após o ataque, e apesar de não ter identificado um grupo específico, o Irão (xiita) condenou veementemente os acontecimentos e apontou o dedo a vários culpados, incluindo à Arábia Saudita (sunita).

O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, declarou na segunda-feira que o atentado tinha sido da responsabilidade "dos mesmos indivíduos que, sempre que estão com dificuldades na Síria e no Iraque, são socorridos pelos norte-americanos, e são financiados pelos sauditas e pelos Emirados Árabes Unidos". No domingo, os Emirados Árabes Unidos negaram qualquer ligação com o ataque, acusando Teerão de promover "uma campanha" contra Abu Dhabi.

Logo após o ataque, um responsável dos Guardiões da Revolução, o exército de elite iraniano, acusou membros de um comando de Ahvaz de serem "apoiados pela Arábia Saudita".
Num comunicado divulgado hoje, antes da reação da Arábia Saudita, o Ministério dos Serviços de Informação iraniano indicou que os elementos envolvidos no ataque de sábado já tinham sido identificados.

O Governo iraniano afirmou que os elementos tinham ligações "com grupos separatistas 'takfiris' apoiados por países árabes reacionários", numa referência a grupos 'jihadistas' ou a radicais islâmicos sunitas. O grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI), bem como outro grupo, reivindicou o atentado.

Teerão mantém relações tensas com várias monarquias árabes do Golfo, reconhecidas como aliadas dos Estados Unidos. Entre essas monarquias está a Arábia Saudita, o maior rival regional do Irão. Os dois países estão com as relações diplomáticas interrompidas desde janeiro de 2016.