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Presidente das Maldivas reconhece derrota em eleições que eram teste para a democracia

O Presidente eleito das Maldivas, Ibrahim Mohamed Solih, no momento da votação.

AHMED SHURAU/AFP/Getty Images

Abdulla Yameen não foi além dos 42%, enquanto o líder da oposição, Ibrahim Mohamed Solih, conseguiu 58% dos votos. O ainda Presidente afirma ter-se encontrado com o Presidente eleito, que representa uma coligação de quatros partidos, cujos líderes se encontram na prisão ou no exílio. Yameen mantém-se em funções até 17 de novembro

O Presidente das Maldivas, Abdulla Yameen, reconheceu esta segunda-feira a derrota na sequência da surpreendente vitória da oposição numas eleições que foram consideradas um teste para a democracia. A informação foi avançada pela Al Jazeera, que cita Yameen num discurso televisivo: “Os cidadãos das Maldivas deram a sua opinião e eu aceito esse resultado”.

Pouco antes da alocução, Yameen encontrou-se com o Presidente eleito Ibrahim Mohamed Solih no gabinete presidencial na capital do país, Malé. “Dei-lhe os parabéns”, disse. O ainda Presidente, que concorreu à reeleição com as bandeiras da defesa da fé islâmica e do impulso económico, esclareceu que permaneceria na Presidência até ao final do seu mandato, a 17 de novembro.

“Servi o povo maldiviano com sinceridade”, disse o ainda Presidente

As declarações foram feitas horas depois de a comissão eleitoral ter confirmado a vitória de Solih, um deputado de longa data e que representa uma coligação de quatros partidos, cujos líderes se encontram na prisão ou no exílio. Segundo os dados oficiais, Solih ganhou com 58% dos votos, Yameen não foi além dos 42% e a taxa de participação foi superior a 89%.

Yameen afirmou ter “servido o povo maldiviano com sinceridade” e para garantir a prosperidade económica do país. “O resultado desse serviço é claro e eu agradeço aos milhares que aceitaram isso e votaram em mim”, acrescentou.

As eleições de domingo ocorreram num cenário de incerteza e medo de manipulação, tendo sido observadas de perto pela Índia, EUA, China, Arábia Saudita e União Europeia. Mesmo antes de os resultados oficiais terem sido anunciados, as autoridades indianas e norte-americanas congratularam o povo das Maldivas.

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    As contas diferem: uns dizem que esteve preso mais de 20 vezes, outras falam em 13, outras em 15. Não terão sido menos de 10 as visitas que Mohamed Nasheed, ex-presidente das Maldivas atualmente no exílio e que acaba de pedir apoio internacional para depor o atual chefe de Estado do país, fez às violentas prisões do arquipélago. Nasheed, 50 anos, tem uma vida plena de episódios próprios de um rebelde anti-regime: é o típico líder “amado ou odiado”, “populista ou revolucionário” que tantas vezes vemos nascer e morrer nos países com democracias pouco sólidas. Nasheed vai voltar às Maldivas, vai voltar ao arquipélago onde as águas do mar são límpidas mas os corredores da política um esgoto. É ainda autor de livros, ex-jornalista, maníaco das limpezas, educado em Liverpool e ex-criador de pássaros - coisa que deixou de fazer depois de ter sido ele mesmo enfiado numa gaiola pela primeira vez