Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Há mais um cantão suíço que vai proibir o uso da burqa

NurPhoto/ Getty Images

Apesar de o país ter negado introduzir a medida a nível nacional, dois cantões da Suíça vão aplicar a medida, que, além de não permitir o uso da burqa, vai proibir toda e qualquer forma de tapar o rosto, mesmo em casos de manifestações

“Qualquer pessoa que se torne irreconhecível ao cobrir o rosto num espaço público e assim comprometer a segurança pública ou social ou a paz religiosa será multado.” O texto faz parte de uma medida adotada pelo cantão suíço de Ticino, no sul do país. Dois anos depois e a cerca de 300 quilómetros a norte, também a comuna de São Galo votou a proibição do uso da burqa em lugares públicos. E quase 67% dos eleitores concordaram com a medida.

Passam assim a ser dois, entre os 26 cantões da Suíça, a proibirem o uso da burqa, depois de São Galo ter colocado a medida ao escrutínio dos populares este domingo. O texto que iria ser votado foi aprovado pelo Governo local há um ano, com 59 votos a favor e 54 contra, recorda o jornal “The Local”. A lei passou no parlamento devido ao apoio dos partidos de extrema direita e de centro, embora tenha sido colocado a referendo popular após insistência dos partidos ecológico e socialista.

Esta nova legislação regional não irá apenas banir o uso da burqa ou de outros tipos de véus, utilizados sobretudo pelas mulheres que professam a religião muçulmana. Vem também impedir o uso de lenços e gorros que cubram o rosto de manifestantes durante protestos, por exemplo.

A decisão é apenas regional, pois a nível nacional a medida não é vista com bons olhos. Aliás, o Governo nacional opôs-se à proibição do uso de burqa e acabou por transferir essa decisão para a mão das regiões. “O Executivo acredita que devem ser os cantões a determinar qualquer possibilidade de proibições relativamente aos rostos tapados em público”, lia-se no comunicado divulgado a 20 de dezembro de 2017.

No entanto, refere o jornal “The Local”, é esperado que os suíços sejam chamados a votar num referendo a nível nacional no próximo ano, uma vez que o Partido Popular Suíço (de extrema-direita) conseguiu recolher as cem mil assinaturas necessárias para colocar o assunto sob o escrutínio dos cidadãos.