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Brexit. Trabalhistas vão votar moção que pede “campanha por um segundo voto” caso falhe acordo de May com Bruxelas

WILL OLIVER

Os trabalhistas estão reunidos em Liverpool, num congresso, e o Brexit é um dos temas principais. Depois de várias horas de reunião no domingo, alguns membros do partido e os representantes de alguns dos principais sindicatos do país redigiram uma moção que pede que o partido não aceite um Brexit sem acordo, ou seja, sem acesso, pelo menos, ao mercado único. O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, diz que os direitos dos trabalhadores e a proteção do ambiente são os temas que mais o preocupam no pós-Brexit

O partido trabalhista vai votar, na terça-feira, uma moção na qual se pede aos dirigentes do partido que “mantenham todas as opções em aberto”, incluindo a opção por um “voto popular” sobre o Brexit, caso o parlamento britânico impeça o acordo final entre o Reino Unido e a União Europeia de passar.

Se passar, a moção coloca o partido perto de assumir uma posição oficial favorável a um segundo referendo, ao mesmo tempo comprometendo-se com um plano de ação que, caso o Reino Unido seja chamado a votar numa eleição geral, será apresentado aos eleitores.

O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, disse, no domingo, que o seu partido estaria disposto a votar contra o acordo de o governo britânico conseguir com Bruxelas numa tentativa de garantir que as negociações continuam. As preocupações principais dos trabalhistas - e aquilo que, segundo Corbyn, os poderia levar a votar contra o acordo - são os direitos dos trabalhadores e a proteção do ambiente, dois temas cujas leis que os regem podem sofrer alterações com a saída do Reino Unido da União Europeia.

O assunto voltou a atingir altas temperaturas depois de, no fim de semana, terem surgido notícias de que alguns membros do partido conservador da primeira-ministra britânica, Theresa May, tentaram contactar especialistas em eleições e sondagens dizendo: “É possível que precisemos de uma eleição”.

Planos de May ridicularizados em Salzburgo

Uma fonte do governo de May, contudo, disse que não existia qualquer plano para uma eleição geral. Estas “medidas drásticas” que começaram a ser avançadas, apenas para serem depois negadas, são consequência de um outro problema bem real: a conferência de Salzburgo, na qual os planos de May para a saída do Reino Unido da União Europeia foram ridicularizados pelo Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Numa fotografia que colocou na rede social Instagram, ao lado de Theresa May e de vários tipos de bolos, Tusk escreveu: “Um pedacinho de bolo, quem sabe? Perdão, não há cerejas”. Isto desmonta-se assim: Um “pedacinho de bolo” é uma expressão inglesa para alguma coisa muito fácil de fazer e “a cereja” é uma referência à expressão “cereja no topo do bolo”, uma expressão que também se usa em português. Ora, o Reino Unido tem sido acusado de “andar a escolher cerejas” nestas negociações, ou seja, a escolher as partes da UE que gostaria de manter, tal como o acesso ao mercado único.

Na quinta-feira passada, o mesmo Donald Tusk disse que o mercado único é “um pacote” e que todos os líderes dos restantes 27 estados-membros concordavam que o acordo de Chequers - no qual Theresa May defende o acesso ao mercado mas sem admitir, por exemplo, a livre circulação de pessoas, não irá resultar.

Trabalhistas preferem eleições gerais

A moção dos trabalhistas surgiu depois de uma reunião que durou mais de cinco horas, e que juntou representantes de vários sindicatos e membros do partido e explica que a opção preferida pelo partido, caso o parlamento rejeite o acordo final conseguido por May, é uma eleição geral. Se isso não for possível, então o Labour “deve apoiar todas as opções” tal como “fazer campanha por um voto popular a esse acordo”. Na moção, cópia da qual foi entregue ao “Huffington Post”, lê-se ainda que o partido se opõe “veementemente” a um Brexit sem qualquer acordo e que a opção deveria sempre ser a permanência no mercado único.

Mas há vozes dentro do partido que pedem alguma contenção. John McDonnell, o ministro das Finanças “sombra” do partido trabalhista, disse que um novo referendo só deveria questionar os britânicos sobre se aceitam ou não o eventual acordo que saia das negociações e não deveria incluir uma opção para permanecer na União Europeia.

“Se vamos respeitar o resultado do último referendo então só poderemos avaliar a validade do acordo e deverá ser sobre o acordo. Ao parlamento caberá determinar a questão que será colocada no boletim, mas primeiro deveremos tentar chegar a um acordo que volte a unir o país”, disse o histórico trabalhista citado pelo “The Guardian”.