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Corbyn ameaça chumbar plano para o Brexit e dispõe-se a segundo referendo

WILL OLIVER

Ainda não há acordo com a UE e já não há muito tempo para consegui-lo. Líder dos trabalhistas vem dificultar ainda mais a vida a Theresa May: ameaça chumbar o resultado das negociações e desafia o seu partido a discutir um segundo referendo. Cenário político no Reino Unido em alta tensão

Jeremy Corbyn ameaça estragar os planos de Theresa May, mesmo que ela consiga chegar a um acordo com a União Europeia para o Brexit. Com o número de semanas para fechar a negociação a encurtarem-se rapidamente, os objetivos da primeira-ministra do Reino Unido estão numa corrida contra o tempo. E, agora, talvez contra Corbyn.

Numa entrevista ao The Guardian, o líder dos trabalhistas afirmou estar disponível a votar contra o plano de May, “de modo a mandar o governo – se ainda estiver em funções – de volta para a mesa das negociações.” Jeremy Corbyn justifica que assim fará se o acordo final com entre o Reino Unido e a União Europeia, que ainda não está fechado, não proteger “empregos e indústrias” do Reino Unido, incluindo os direitos dos trabalhadores e questão ambientais.

Depois de ter chegado a um plano em Chequers, plano que propõe manter o Reino Unido no mercado único e que é considerado muito difícil por tentar equilibrar as diferentes pressões políticas internas e externas, o governo de Theresa May está a tentar convencer a UE a aceitar esse plano como sendo um caminho viável entre tantas posições oponentes. O Reino Unido parece sentir-se mais ameaçado pela falta de um acordo do que a UE, coisa que as forças diplomáticas britânicas têm tentado contrariar nas suas movimentações políticas externas. É neste cenário que as ameaças de Corbyn complicam ainda mais as negociações: mais dificilmente a UE aceitará um acordo se ele não tiver a expectativa de aprovação posterior em Londres.

Espera-se que, em novembro, o parlamento britânico vote o acordo que Theresa May conseguir fechar com a União Europeia. Estando já os conservadores contra o plano, se o “Labour” de Corbyn votar contra ele então a sua aprovação na Casa dos Comuns pode ficar posto em causa.

A par desta incerteza, está também a ser alimentado um cenário para um segundo referendo, de que o governo de Theresa May não quer nem ouvir falar. Mas Corbyn veio ontem reafirmar que está pessoalmente disponível para que assim seja, desafiando o seu partido a tomar posição sobre esse novo referendo, no congresso que hoje começou em Liverpool. Corbyn garantiu que vai convocar esta semana uma "votação clara" para que os militantes se pronunciem sobre a posição do partido quanto ao rumo das negociações para a saída do país da União Europeia.

A pressão sobre o líder trabalhista, na oposição, aumentou após a publicação de uma sondagem que sugere que 86% dos membros do partido querem que se convoque uma nova consulta.

Na campanha para o referendo, em 2016, Corbyn foi acusado de tibieza na sua defesa da continuação na UE, e não esclareceu como votaria se se repetisse o referendo.Insistiu sim na sua estratégia de pedir a realização de eleições gerais que lhe deem a opção de liderar as negociações com Bruxelas, uma cenário em que acredita dado o número de deputados conservadores que discordam da estratégia de negociação da primeira-ministra, Theresa May.

Governo britânico e os líderes europeus estipularam outubro como o prazo para alcançar um acordo a tempo de ser aprovado pelo parlamento britânico e por instituições nacionais e europeias para estar em vigor no dia da saída britânica da UE, a 29 de março de 2019.