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Casal inglês vende por milhões canal de grande sucesso no YouTube

O “Little Baby Bum” transformou-se num dos canais do YouTube mais populares em todo o mundo: 1750 milhões de visualizações por estes dias, 16,3 milhões de subscritores. Perante a escala do fenómeno, até os donos e senhores da indústria da produção e da distribuição global se rendem

Luís Proença

De pequenino se torce o pepino. Corria o verão de 2011, o senhor e a senhora Holder deitaram mãos à obra. A partir de Londres, criaram um canal no YouTube dedicado exclusivamente a animações em 3D com canções educativas para crianças. Chamaram-lhe “Little Baby Bum” (LBB), inspirados na alcunha dada ao filho mais novo. E a 29 de agosto desse ano estrearam-se. Fizeram o “upload” da sua própria versão de “Twinkle Twinkle Little Star” (“Brilha Brilha Estrelinha”). Não se sabe publicamente por quanto, mas o “Little Baby Bum” foi agora vendido por milhões de libras. Não há como contorná-lo, o LBB transformou-se num dos canais do YouTube mais populares em todo o mundo. Soma 1750 milhões de visualizações, por estes dias, e tem 16,3 milhões de subscritores. Ocupa a nona posição dos canais mais populares na plataforma. Um dos vídeos carregados, a compilação de 54 minutos de duração “Wheels On The Bus / Plus Lots More Nursery Rhymes” ocupa a vigésima posição entre os vídeos mais vistos do YouTube, com 2100 milhões de visualizações. Perante o gigantismo, a escala do fenómeno, até os donos e senhores da indústria da produção e da distribuição global se rendem.

O LBB foi agora comprado pela Moonbug, uma agência detida por um trio de veteranos da indústria do entretenimento com ligações à Disney e à DHX Media canadiana (Ben 10, Popeye, Teletubbies, etc.) que na condição de criadores independentes procurarão ir atrás das margens geradoras de dividendos para os investidores financeiros de suporte. Observadores próximos aventam que se trata de uma transação na casa dos seis dígitos, provavelmente entre os seis e os nove milhões de euros. A Moonbug terá feito a melhor licitação pela compra, superior a outros quatro candidatos à aquisição.

Por entre o trio de sócios da Moonbug, ressalta o nome de Rene Rechtman, ex-Disney, que esteve envolvido numa das maiores aquisições no universo do YouTube: a venda da Maker Studios à Disney que desembolsou cerca de 560 milhões de euros pelo controlo da companhia gestora de dezenas de milhares de canais na plataforma detida pelo Google.

Harry Hugo, da Goat Agency, uma empresa especializada no mercado do “social media” citado pela Bloomberg, está em crer que vários canais do YouTube vão ser comprados ou incorporados em plataformas OTT ou canais de televisão, numa tentativa dos grandes distribuidores alcançarem novas audiências ou audiências que, entretanto, mudaram para esta nova plataforma.

Derek Holder, cofundador da LLB, a par da sua mulher, confirmou a venda à BBC, mas manteve a confidencialidade sobre o valor em causa. “Estávamos a tentar levar a marca para um patamar superior. Soubemos qual a equipa que compõe a Moonbug e quais os planos que têm em mente e que passam por manter o ‘core’ e também a vir a fazer episódios para televisão e para todo o mundo”. Holder acrescenta que sentiram ser o momento certo para passar a marca de mãos, depois de uma “fantástica corrida”.

O “Little Baby Bum” publica vídeos de longa duração, muitos com mais de uma hora, fazendo contracenar figuras animadas em 3D em vídeos educacionais cantados. Que eu tenha visto, para além de inglês, há também versões em português (do Brasil), espanhol, alemão, francês, russo e japonês.

Os vídeos são intencionalmente longos de modo a que os pais possam deixar as crianças a vê-los por períodos alargados sem terem de estar a carregar repetidamente no “play”, vídeo curto após vídeo curto, conforme explicou Derek Holder. O canal tem feito o seu caminho, cantando e rindo, tendo atualmente estreias semanais com o “upload” de dois novos vídeos, uma revista digital paga e merchandise associado. A Moonbug ter-se-á comprometido com o casal Holder a subir a fasquia de novos episódios a lançar a cada semana para quatro ou cinco.