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Internacional

Criadores de moeda virtual falsa em Espanha enfretam 200 anos de prisão

Também há moedas virtuais verdadeiras e moedas virtuais falsas. Um sofisticado esquema montado por um casal de espanhóis à volta de uma moeda virtual que prometia retornos de 275% lesou mais de 50 mil pessoas. Os criadores da “Unete” enfrentam agora 200 anos de prisão

Em 2012, dois espanhóis, José Manuel Ramírez e Pilar Otero, criaram um suposta moeda virtual, que oferecia aos investidores um retorno de 275% ao ano. Em teoria, a “Unete” equivalia a um dólar. Na prática, a nada; ou a nada para a maior parte daqueles que investiram nela. Quem enriqueceu foi o casal Ramirez e Otero, alguns dos primeiros investidores e os cúmplices do par que foi o cérebro desta operação. Agora, há 22 acusados que enfrentam 200 anos de cadeia.

O casal espanhol criou um esquema piramidal e conseguiu extorquir aos investidores cerca de 200 milhões de euros. A Unete enganou mais de 50 mil pessoas, oriundas de 78 países diferentes. A acusação acredita que, em média, cada um dos enganados terá investido 6 mil euros.

O esquema piramidal permitiu-lhes pagar aos investidores veteranos com o dinheiro dos novos investidores, e depositar cerca de 50 milhões de euros em paraísos fiscais. A acusação garante que o dinheiro circulou em países como Liechtenstein, Panamá, Reino Unido, Croácia, Emirados Árabes Unidos, Malta e Seychelles.

A polícia espanhola prendeu Otero e Ramírez em 2015 no âmbito da Operação Faraó, mas libertou-os a troco do pagamento de uma fiança no valor de 150 mil euros.

"A investigação internacional sobre Ramirez e Otero revela um suposto esquema Ponzi abrangente e sem precedentes", explicou ao jornal espanhol "El Pais" o advogado Carlos Manuel Merino Maestre, que detém a acusação popular, em nome da Associação Nacional dos Atingidos pela Internet e Novas Tecnologias (Anfitec). O advogado solicitou uma multa de 67 milhões de euros para os autores do golpe.

O jornal também adianta que Ramirez, antes de criar a Unete, teve negócios no Panamá com o seu compatriota e criador das Finanças Forex, Germán Cardona, o "Madoff espanhol". O Supremo Tribunal condenou Cardona, no ano passado, a 13 anos de prisão pela fraude 331 milhões de euros, infligida a 186 000 investidores.