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Internacional

Rússia delineou plano para ajudar Assange a fugir do Reino Unido. Fuga envolvia veículo diplomático

Representantes de Moscovo mantiveram conversas secretas com pessoas próximas do fundador do WikiLeaks, para avaliar a possibilidade de o fazer sair da embaixada do Equadror usando um veículo diplomático, revela o “Guardian”. Plano foi abandonado por ter sido considerado muito arriscado

Um plano para ajudar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, a fugir do Reino Unido e que envolveu a participação de diplomatas russos, foi elaborado em 2017, mas não foi avante por ter sido considerado demasiado arriscado, revela o britânico “The Guardian” na sua edição desta sexta-feira.

Segundo o jornal, representantes de Moscovo mantiveram conversas secretas com pessoas próximas a Assange, em Londres, com o objetivo de avaliar a possibilidade da fuga. O plano passava por conseguir fazer sair o fundador do WikiLeaks da embaixada do Equador, usando um veículo diplomático que o transportaria para outro país.

A Rússia seria o destino final, acrescenta o jornal, citando várias fontes não identificadas, país que deixaria Assange a salvo da eventual extradição para os EUA, à semelhança do que acontece com Edward Snowden, o ex-analista da NSA que se encontra a viver na Rússia desde 2013, em local desconhecido, por questões de segurança.

Por ter sido considerado muito arriscado, o plano para retirar Assange do Reino Unido acabou posto de parte, ainda que chegasse a estar uma data em cima da mesa: a véspera de Natal de 2017.

A revelação volta a levantar suspeitas sobre a eventual proximidade de Julian Assange com o Kremlin, sendo ele uma figura chave na investigação criminal que prossegue nos Estados Unidos sobre a alegada tentativa da Rússia de influenciar as presidenciais de 2016, que culminaram com a eleição de Donald Trump.

Entre outros aspetos, a investigação procura clarificar as circunstâncias da entrega ao WikiLeaks dos emails conseguidos por hackers russos, cujo conteúdo expôs Hillary Clinton. Assange negou ter recebido os referidos emails.

Não foram revelados muitos pormenores sobre o plano de fuga. Ao jornal, duas fontes “familiarizadas com o funcionamento interno da embaixada equatoriana” disseram que Fidel Narváez, um confidente próximo de Assange - cônsul do Equador em Londres até há pouco tempo - serviu como ponto de contacto com Moscovo. Uma alegação que Narváez, ouvido pelo “Guardian”, negou.

Apenas alguns dias antes da data prevista, os planos foram abandonados, afirmou uma fonte.