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Caso Kavanaugh. Ford “deseja testemunhar” mas pede “termos justos” e “segurança”

Reuters

Christine Blasey Ford, que acusa o juiz candidato ao Supremo Tribunal de agressão sexual quando eram ambos adolescentes, descartou testemunhar na segunda-feira, como inicialmente previsto. Mas pareceu deixar a porta aberta para fazê-lo, mesmo que o FBI não investigue as suas acusações, como pedira anteriormente

A mulher que acusou o juiz Brett Kavanaugh de agressão sexual está preparada para testemunhar perante a comissão de justiça do Senado na próxima semana, desde que os senadores ofereçam “termos que sejam justos e que garantam a sua segurança”. A informação foi avançada esta quinta-feira pela advogada de Christine Blasey Ford.

A queixosa descartou testemunhar na segunda-feira, como inicialmente previsto, mas pareceu deixar a porta aberta para fazê-lo, mesmo que o FBI não investigue as suas acusações, como pedira anteriormente. Os republicanos do Senado tinham definido esta sexta-feira como o prazo para Ford anunciar se testemunharia ou não.

“Ela deseja testemunhar”, revelou a advogada Debra Katz, que descreveu depois as condições de justiça e de segurança que pede. “Uma audiência na segunda-feira não é possível e a insistência da comissão de que ocorra nesse dia é arbitrária”, acrescentou, sublinhando ainda que a sua cliente continua a preferir que a comissão permita “uma investigação completa antes do seu depoimento”.

Confirmação interrompida por alegação de abuso sexual

A investigadora na área da psicologia, hoje com 51 anos, falou no domingo pela primeira vez sobre a alegada agressão sexual. Em entrevista ao jornal “The Washington Post”, Ford afirmou que Kavanaugh e um amigo, ambos alcoolizados, a encurralaram num quarto durante uma festa no início dos anos 1980. Segundo o relato, o agora juiz, de 53 anos, apalpou-a, tentou tirar-lhe a roupa e tapou-lhe a boca para que não gritasse. “Pensei que inadvertidamente me matasse”, disse ao jornal.

A luz verde de que Ford estaria disposta a testemunhar sob determinadas condições, sinalizada por email, iniciou conversações entre os advogados da queixosa e os assessores democratas e republicanos da comissão do Senado. Segundo fontes próximas do processo, citadas pelo jornal “The New York Times”, as negociações foram cordiais mas houve alguns pontos de discórdia.

Ford quer testemunhar quinta-feira e a comissão está a ponderar

A defesa de Ford pediu à comissão que chamasse outras testemunhas e que Kavanaugh depusesse primeiro mas ambos os pedidos foram rejeitados pelos republicanos. Por outro lado, estes propuseram uma pessoa externa para o interrogatório mas os advogados recusaram, temendo que a audiência assumisse um tom persecutório e argumentando que os senadores deviam estar envolvidos. A defesa sugeriu quinta-feira como data para a audiência e o presidente da comissão Charles Grassley está a considerar com os seus colegas esse pedido de adiamento.

As negociações acontecem um dia depois de um aparente impasse entre Ford e os republicanos, que, apoiados pelo Presidente Trump, exigiam que testemunhasse na segunda-feira ou não o faria de todo. Para Kavanaugh, quanto mais cedo melhor, para que possa “limpar” o seu nome. “Desde o momento em que ouvi esta alegação pela primeira vez, tenho-a negado categórica e inequivocamente. Continuo comprometido em defender a minha integridade”, escreveu o juiz numa carta divulgada pela Casa Branca.