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Supremo. Mulher que acusa Kavanaugh de abuso sexual tem até amanhã para decidir se depõe

Win McNamee/ Getty Images

Em carta enviada aos advogados de Christine Blasey Ford, o presidente da comissão de Justiça do Senado fixou o prazo de 21 de setembro, sexta-feira. No início da semana, a advogada da queixosa disse à CNN que Ford está a receber “ameaças de morte e assédio” e que, antes de ir ao Congresso, pretende uma investigação do FBI ao juiz Brett Kavanaugh

O Senado dos EUA deu à mulher que acusa o juiz Brett Kavanaugh, nomeado para o Supremo Tribunal pelo Presidente Trump, de abuso sexual até sexta-feira para decidir se vai depor. O presidente da comissão de Justiça do Senado, Chuck Grassley, enviou esta quarta-feira aos advogados de Christine Blasey Ford uma carta assinalando o prazo de 21 de setembro.

Na terça-feira, a advogada da queixosa disse à CNN que Ford está a receber “ameaças de morte e assédio” e que, antes de ir ao Congresso, pretende uma investigação do FBI a Kavanaugh. O juiz, que classificou as alegações como “completamente falsas”, tem-se reunido com funcionários da Casa Branca nos últimos dias.

A investigadora na área da psicologia, hoje com 51 anos, falou no domingo pela primeira vez sobre a alegada agressão sexual. Em entrevista ao jornal “The Washington Post”, Ford afirmou que Kavanaugh e um amigo, ambos alcoolizados, a encurralaram num quarto durante uma festa no início dos anos 1980. Segundo o relato, o agora juiz, de 53 anos, apalpou-a, tentou tirar-lhe a roupa e tapou-lhe a boca para que não gritasse. “Pensei que inadvertidamente me matasse”, disse ao jornal.

“A pressa para uma audiência é contrária à descoberta da verdade”

Na sequência das revelações, a comissão de Justiça do Senado resolveu adiar a votação de confirmação de Kavanaugh para o Supremo e chamou o juiz e a queixosa a deporem na próxima segunda-feira. Em comunicado, a advogada de Ford disse que o plano para avançar com uma audiência com apenas duas testemunhas “não é uma investigação justa ou de boa fé”.

“Há várias testemunhas cujos nomes apareceram publicamente e que deviam ser incluídas em qualquer processo. A pressa para uma audiência é desnecessária e contrária à descoberta da verdade pela comissão”, acrescenta o documento.

“O FBI não faz uma avaliação de credibilidade”

Numa carta endereçada à equipa legal da professora Ford, Grassley disse que “não cabe ao FBI investigar uma questão como esta”. “Acredito que qualquer um que avance com alegações de agressão sexual tem o direito a ser ouvido”, acrescentou o republicano do Iowa.

O Senado, “e apenas o Senado”, tem a função de avaliar a adequação do nome indicado pelo Presidente para o Supremo Tribunal. “O FBI não faz uma avaliação de credibilidade de qualquer informação que receba relativamente a um candidato”, conclui.