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Quem sai mais prejudicado com o Brexit? Jean-Claude Trichet não tem dúvidas: o Reino Unido

Horacio Villalobos/Corbis/Getty Images

Em entrevista à BBC, o ex-presidente do Banco Central Europeu disse que a saída do Reino Unido da UE é “totalmente contrária ao novo mundo” das grandes economias emergentes. Mas alertou que o Brexit também será prejudicial para o bloco comunitário num tempo de crescimento económico noutras partes do globo e também se mostrou preocupado com o aumento dos níveis da dívida pública e privada em todo o mundo

O Brexit terá um impacto económico maior no Reino Unido do que na União Europeia (UE). O prognóstico foi feito esta quarta-feira pelo antigo presidente do Banco Central Europeu (BCE) Jean-Claude Trichet à BBC 5 Live. A saída do país do bloco comunitário é “totalmente contrária ao novo mundo” das grandes economias emergentes, com moedas e mercados únicos, acrescentou.

Questionado sobre o modo como o Brexit afetaria os outros países da UE, Trichet disse: “É uma questão de proporção. Se eu considerar a UE como um todo e comparar o PIB [produto interno bruto] da UE com o PIB do Reino Unido, há uma pequena porção que representa o Reino Unido. É normal que os [restantes] países sejam menos afetados do que o Reino Unido por este evento que foi inteiramente decidido pelo Reino Unido”, avaliou.

Apesar disso, o ex-presidente do BCE sugere que o Brexit também será prejudicial para a UE num tempo de crescimento económico noutras partes do mundo, defendendo que devia ser evitado “para o bem do Reino Unido no longo prazo e para o bem do nosso continente”. “Num período em que a Índia, a China, o Brasil, o México, a Indonésia e todas as economias emergentes estão a avançar rapidamente, subjugando cada vez mais a Europa, como se explica que decidamos separar-nos? É totalmente contrário ao novo mundo”, sublinha.

Trichet dirigiu o BCE entre 2003 e 2011, supervisionando a resposta da instituição europeia ao colapso de 2008 e à crise da dívida grega. Na entrevista à estação britânica, também se mostrou preocupado com o aumento dos níveis da dívida pública e privada em todo o mundo.