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Japão. Shinzo Abe volta a ganhar liderança do partido e pode tornar-se o PM há mais tempo em funções

Mikhail Metzel/TASS/Getty Images

O chefe do Executivo conseguiu 553 votos de um total de 807, o que lhe dá margem para se lançar no seu objetivo de rever a Constituição pacifista do país. O artigo 9.º do documento, da autoria das forças de ocupação dos EUA no final da Segunda Guerra Mundial, renuncia à guerra e proíbe o uso da força para resolver disputas internacionais

Shinzo Abe está a caminho de se tornar o primeiro-ministro há mais tempo em funções no Japão. Se continuar no cargo em novembro do próximo ano, ultrapassará Taro Katsura, que liderou o país durante quase três mil dias, distribuídos por três mandatos, no início dos anos 1900.

A extensão do mandato de Abe por mais três anos foi assegurada depois de esta quinta-feira ter sido confortavelmente reeleito presidente do partido no poder, o Partido Liberal Democrata. O chefe do Executivo conseguiu 553 votos num total de 807, o que lhe dá margem para se lançar no seu objetivo de rever a Constituição pacifista do país.

Abe, que não perde uma eleição desde que se tornou primeiro-ministro pela segunda vez, em dezembro de 2012, derrotou o seu mais direto rival, Shigeru Ishiba, antigo ministro da Defesa. O ex-governante manifestou preocupação com a falta de tempo que o país teria para debater reformas constitucionais.

Na véspera da votação, Abe afirmou-se determinado a “construir um novo país”, prometendo “assumir a liderança na entrega de um Japão orgulhoso e esperançoso às gerações mais jovens”. O primeiro-ministro acabou por abandonar os planos para uma revisão abrangente da cláusula de renúncia à guerra, prevista na Constituição.

PM quer mexer na Constituição, podendo alterar-lhe o estatuto pacifista

Abe diz agora que pretende apenas confirmar a legalidade das forças de autodefesa, que não são reconhecidas pelo documento atual. O artigo 9.º da Constituição, da autoria das forças de ocupação dos EUA no final da Segunda Guerra Mundial, renuncia à guerra e proíbe o uso da força para resolver disputas internacionais.

No entanto, o chefe do Governo já tentou redefinir o papel dos militares com a aprovação de uma lei que permite a participação na autodefesa coletiva, o que significa que as tropas do país poderão vir em auxílio de um aliado sob ataque mesmo que o Japão não esteja ameaçado.

A mudança constitucional requer uma maioria de dois terços em ambas as câmaras do Parlamento e uma maioria simples num referendo nacional. A vontade de Abe não colhe sobretudo entre os eleitores mais velhos que se ligaram emocionalmente ao estatuto pacifista do país no pós-guerra.

Segundo uma sondagem da estação pública NHK, divulgada no início do ano, 31% concordavam com a proposta do primeiro ministro, 23% opunham-se a ela e 40% ainda estavam indecisos.

  • Milhares exigem que primeiro-ministro japonês renuncie

    A popularidade do Governo do Japão nunca esteve tão baixa. Para piorar, uma revista acusa de assédio sexual um alto funcionário do Ministério da Economia. Os analistas políticos duvidam que Shinzo Abe consiga conquistar o terceiro mandato como líder do Partido Liberal Democrático, vitória indispensável para se manter no poder

  • Quase metade dos japoneses querem demissão de primeiro-ministro

    Novas sondagens divulgadas esta segunda-feira revelam que 48% dos inquiridos defendem que Shinzo Abe e o seu governo devem demitir-se. Em causa está o escândalo de corrupção que envolve a primeira-dama e uma escola privada japonesa, que terá sido alegadamente beneficiada pelo Governo na compra de terrenos do Estado