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Presidente do PPE diz que Viktor Orban “não é fácil”

PIERRE-PHILIPPE MARCOU/Getty

Joseph Daul considerou que as violações do Estado de direito devem ter consequências

O presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Joseph Daul, reconheceu nesta quarta-feira que um dos seus membros, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, "não é fácil", mas considerou que as violações do Estado de direito devem ter consequências.

"Sobre Viktor Orbán falamos sempre e falaremos hoje outra vez com ele. Ele não é fácil. Já todos o sabemos", afirmou o político francês, antes do início de uma reunião do PPE, a que pertence o partido Fidesz, que é a formação de Orbán. Daul respondeu assim à pergunta se a permanência do Fidesz no PPE seria discutida no encontro de hoje, depois de na semana passada o Parlamento Europeu ter aprovado a abertura de um inquérito para sancionar a Hungria, por entender que o Governo magiar violou o Estado de Direito.

O dirigente do PPE indicou que já comenta as decisões de Orbán desde há algum tempo e que neste assunto vão ser aplicadas as normas do partido. "Sempre disse que a comunicação social não pode obrigar-me a excluir Viktor Orbán. Temos democracia no nosso partido, temos Estado de direito, liberdade e regras", declarou.

Daul recordou que, na semana passada, mais de metade dos deputados do PPE votou a favor do início do processo que pode motivar sanções à Hungria, defendendo que o procedimento deve continuar. "Queremos saber da Comissão (Europeia) em que é que não se manteve o Estado de Direito" na Hungria.

Por outro lado, Daul criticou que só se fale de Orbán e não dos dirigentes de outros países, como Malta, Eslováquia ou Roménia, todos governados por formações que integram o Partido Socialista Europeu, nos quais, na sua opinião, também pode haver violações do Estado de Direito. Mas, sobre a questão, o dirigente popular disse que se alguém não respeitar as regras do Estado de Direito, deve haver consequências.

À sua chegada à reunião, o próprio Orbán referiu-se à sua possível exclusão do PPE, recordando que o seu partido, "dentro do PPE, é o que tem mais êxito". Orbán governa com maioria absoluta desde 2010. Nos últimos anos, Bruxelas criticou algumas das suas decisões, como a recusa de acolher refugiados, as limitações da liberdade de imprensa e expressão e a aprovação de leis sobre o controlo das organizações não-governamentais e das universidades, que visou designadamente a Universidade da Europa Central, do milionário norte-americano de origem húngara George Soros.