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Internacional

Morte de jornalista suspende retirada de ecologistas de floresta na Alemanha

Michael Gottschalk/Getty

Operação tem provocado vários incidentes com os militantes. No domingo, nove ambientalistas ficaram feridos

As autoridades alemãs decidiram nesta quarta-feira suspender a retirada de ambientalistas que estão a ocupar uma floresta para impedir a expansão de uma mina de carvão, depois da morte de um jornalista, que a polícia assegura ter sido acidental.

"Não podemos continuar como se nada se tivesse passado", declarou o ministro do Interior do Estado da Renânia do Norte -- Vestefália, Herbert Reul, durante uma conferência de imprensa. Um homem, "muito presumivelmente um jornalista" segundo a polícia, morreu hoje, depois de cair de uma ponte que ligava duas cabanas construídas nas árvores.

A floresta de Hambach, perto de Aachen, no oeste do país, está ocupada, há vários anos, por dezenas de militantes ecologistas, instalados por vezes em construções situadas acima das árvores, algumas a 25 metros do solo.

Foi um "acidente trágico", que "não está ligado ao trabalho de retirada em curso", declarou a polícia de Aachen. No sétimo dia desta operação, as forças policiais tinham desmantelado 39 das 50 casas construídas nas árvores. A operação tem provocado vários incidentes com os militantes. No domingo, nove ambientalistas ficaram feridos e 34 foram interpelados.

Os ambientalistas querem impedir os cortes de árvores previstos pelo grupo de produção de eletricidade RWE para permitir a expansão de uma mina de lignite, um carvão castanho muito poluente extraído a céu aberto ao longo de grandes extensões.

A empresa RWE reagiu ao acidente, através da rede social Twitter, declarando-se "profundamente transtornada". A presença dos militantes tem sido tolerada ao longo dos anos, mas a RWE decidiu recentemente fazer valer os seus direitos sobre a zona.

A floresta de Hambach tornou-se imediatamente o símbolo dos adversários do carvão, que continua a ser uma fonte importante de produção de eletricidade, devido desde logo à saída do nuclear decidida em 2011 pelo governo federal para ocorrer em 2022. Apesar de o carvão parecer condenado a prazo, o governo ainda não fixou o momento do abandono desta fonte de energia e a sua exploração prossegue no oeste e leste do país, regiões em que continua a ser importante no plano do emprego.