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“Orgia de corrupção” nas Maldivas

Getty Images

A poucos dias da eleição presidencial no país, investigação liga o Presidente Abdulla Yameen à concretização de vários acordos para a exploração turística de, pelo menos, 24 ilhas. Dezenas de licenças foram obtidas sem concurso público e em tempo recorde

A poucos dias da eleição presidencial, uma investigação divulgada esta terça-feira avança novas descobertas sobre os casos de corrupção que envolvem o Governo das Maldivas.

O relatório, citado pela Al Jazeera, adianta que pelo menos 50 das licenças para a exploração turística das ilhas mais cotadas do país foram obtidas a preço abaixo do valor de mercado e sem concurso público, sendo por isso consideradas ilegais.

O documento do Organised Crime and Corruption Reporting Project vai mais longe ao afirmar que o Presidente Abdulla Yameen - que deverá garantir no domingo a reeleição para o segundo mandato - terá tido intervenção em pelo menos 24 desses contratos.

Os especialistas envolvidos na investigação falam numa “orgia de corrupção”, adiantando detalhes, com base em dados obtidos de três iPhones pertencentes ao ex-ministro do Turismo e vice-presidente, Ahmed Adeeb, e a outros documentos, nomeadamente registos em que aparentemente um dos empresários mais ricos de Singapura, Ong Beng Seng, oferece ao Presidente e ao ex-Presidente das Maldivas estadias em hotéis de luxo. A “gentileza” coincide com o momento em que Ong procurava concluir acordos para obter a licença de duas ilhas desabitadas do país, o que veio de facto a acontecer. Sem concurso público, o empresário garantiu a exploração de ambas, uma de graça e outra pagando cinco milhões de dólares (perto de 4,3 milhões de euros), avança o relatório.

Ainda que nem o empresário, nem o atual Presidente tenham respondido às questões dos investigadores, Abdulla Yameen referiu o caso durante um debate eleitoral, desvalorizando o tema como algo “do passado”, que aconteceu por culpa do ex-vice-presidente, do banco central, dos bancos comerciais e do “sistema” em geral.

O Presidente enfrenta suspeitas de corrupção desde 2016, quando o OCCRP apresentou a investigação ‘Stealing Paradise’ [Paraíso roubado]. Depois de, ao longo de quatro décadas, terem sido construídos nas Maldivas cerca de 100 resorts turísticos, após a eleição de Yameen, surgiram pelo menos mais 50, aprovados em pouquíssimo tempo.