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Juiz Kavanaugh e mulher que o acusa de agressão sexual chamados a testemunhar

Congressional Quarterly/Getty Images

Donald Trump saiu em defesa do nome que indicou para o Supremo, classificando-o como um juiz “excelente” e descartando como “ridícula” a hipótese de Kavanaugh retirar a sua nomeação. No domingo, a investigadora Christine Blasey Ford revelou que Kavanaugh a apalpou, tentou tirar-lhe a roupa e tapou-lhe a boca para que não gritasse durante uma festa no início dos anos 1980

O presidente da Comissão de Justiça do Senado dos EUA, Charles E. Grassley, vai chamar o candidato ao Supremo Tribunal indicado pelo Presidente Trump, Brett Kavanaugh, e a mulher que acusou o juiz de agressão sexual a testemunharem na segunda-feira. De acordo com a edição desta terça-feira do jornal “The New York Times”, o senador republicano Grassley fez recuar a votação sobre a nomeação de Kavanaugh, agendada para esta quinta-feira, e deixou no limbo uma confirmação que parecia inevitável.

Donald Trump saiu em defesa do seu nome proposto para o Supremo, classificando-o como um juiz “excelente”, com um histórico irrepreensível, e descartando como “ridícula” a hipótese de Kavanaugh retirar a sua nomeação. “Ele é alguém muito especial. Ao mesmo tempo, queremos passar por um processo, queremos ter a certeza de que tudo está perfeito, tudo está certo”, afirmou o Presidente dos EUA. “Se houver um ligeiro atraso, haverá um ligeiro atraso — não deverá certamente ser muito grande”, garantiu.

O anúncio da audiência de ambos foi o corolário de um dia tumultuoso em Washington, com os senadores de ambos os partidos a absorverem as acusações contra um juiz que, ainda na semana passada, parecia não escapar à confirmação. No domingo, a investigadora na área da psicologia Christine Blasey Ford, hoje com 51 anos, falou sobre a alegada agressão sexual pela primeira vez.

“Pensei que inadvertidamente me matasse”, disse Blasey

Em entrevista ao jornal “The Washington Post”, Blasey afirmou que Kavanaugh e um amigo, ambos alcoolizados, a encurralaram num quarto durante uma festa no início dos anos 1980. Segundo o relato, o agora juiz, de 53 anos, apalpou-a, tentou tirar-lhe a roupa e tapou-lhe a boca para que não gritasse. “Pensei que inadvertidamente me matasse”, lê-se no jornal. A revelação surge dias depois de Kavanaugh ter contestado veementemente aquelas alegações. Este domingo voltou a negar tudo.

As alegações estavam detalhadas numa carta enviada em julho por Blasey para a senadora Dianne Feinstein, a principal democrata na Comissão de Justiça, que manteve a sua existência em segredo até à semana passada, a pedido da investigadora. Na segunda-feira, o senador republicano Mitch McConnell atacou os democratas por só referirem as acusações à última hora, enquanto o senador democrata Chuck Schumer exigiu uma investigação do FBI sobre Kavanaugh.

Caberá agora ao juiz indicado por Trump convencer os senadores de ambos os partidos que duvidam da sua inocência. Tanto a senadora Susan Collins como o senador Jeff Flake, ambos republicanos, afirmaram que, a revelarem-se verdadeiras, as acusações contra Kavanaugh desqualificam-no na corrida para o Supremo Tribunal.