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Internacional

Alterações climáticas são ponto de convergência na Assembleia-Geral da ONU

Portugal é um dos países mais afetados pelas alterações climáticas e as regiões polares são os locais onde estas alterações se tornaram mais evidentes. Por isso, as universidades portuguesas estão a apostar na investigação polar

MARK RALSTON/GETTY IMAGES

Para a Human Rights Watch, as “crises naturais”, provocadas pelas alterações climáticas são um dos motivos para a crise migratória que ainda se está a verificar no mundo

As condições ambientais a nível global são um dos pontos de convergência nas expetativas de analistas em relação à assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que tem início esta terça-feira.

Para a organização não governamental (ONG) Human Rights Watch, há cinco questões chaves em matéria de direitos humanos a serem tratadas pela ONU na 73ª Assembleia-Geral, conforme disse à Lusa, em entrevista telefónica, o Diretor Executivo Adjunto de Programas, Iain Levine.

Supervisor das pesquisas e publicações da HRW, Iain Levine destacou que os casos que levantam mais preocupação no momento são os refugiados, a etnia rohingya, o Iémen, a Síria e as alterações climáticas.

Para a ONG, as “crises naturais”, provocadas pelas alterações climáticas são um dos motivos para a crise migratória que ainda se está a verificar no mundo.

Já a Bloomberg apontou, em conferência de imprensa na sua sede em Nova Iorque, que os desafios à prosperidade da sociedade internacional são as alterações climáticas e o terrorismo.

A empresa tecnológica do enviado especial do secretário-geral da ONU para as alterações climáticas, Michael Bloomberg, pretende que o desenvolvimento dos trabalhos seja feito em prol da cooperação entre governantes e governados e entre os setores privado e público da economia, com conversações ao mais alto nível.

A HRW e a Bloomberg aproveitam a vinda dos líderes mundiais à Assembleia-Geral da ONU para marcar reuniões à margem do evento e chamar à atenção para as suas causas, sendo que nenhum influencia diretamente a agenda da ONU, mas fazem publicações sobre o estado de direito e o estado financeiro que são seguidas muito atentamente em todo o mundo.

Maia Johnson, chefe da programação do Bloomberg Global Business Forum, disse que o pedido do secretário-geral da ONU a Michael Bloomberg é uma questão “muito séria” na sede da empresa financeira, que criou uma equipa especial para seguir e combater os impactos das alterações climáticas.

António Guterres solicitou a Michael Bloomberg que apresente soluções de “financiamento climático” e como “direcionar biliões de dólares em investimentos renováveis”, segundo Maia Johnson.

Para isso, o grupo de trabalho está a criar uma aliança internacional de financiamento climático até o próximo ano.

Para a HRW, o trabalho mais importante da Assembleia-Geral “não é esta semana, mas tudo que se faz na semana a seguir, na outra a seguir e na outra” e o trabalho da organização internacional passa por “insistir” no respeito pelos diretos humanos, pois, por mais que seja sua intenção, não o consegue “garantir”.

Iain Levine considerou que o limite de refugiados que os Estados Unidos vão receber em 2019, 70 mil, é um número “muito pequeno” num território cuja população, segundo várias fontes, se aproxima dos 330 milhões de habitantes.

Para a ONG, quando o terceiro país mais populoso do mundo e o “mais poderoso” em política e economia se recusa a receber mais do que 70 mil deslocados estrangeiros que necessitam de ajuda, o problema é bastante sério e negativo.

A HRW considera que os rohingyas “não têm condições” de voltar para o Myanmar e por isso, “não podem ser devolvidos à antiga Birmânia”, enquanto não lhes estão assegurados os direitos humanos, em primeiro lugar, o direito à vida.

As empresas e organizações internacionais estão de olhos postos nas conclusões da 73ª Assembleia-Geral da ONU, que começa hoje em Nova Iorque e se prolonga até 05 de outubro, com a presença de líderes de 193 países.