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Macedónia. Campanha russa de desinformação apela à queima de boletins e a boicote ao referendo

ROBERT ATANASOVSKI/AFP/Getty Images

A 30 de setembro, os eleitores decidem se pretendem acabar com uma disputa de três décadas com a Grécia ao mudarem o nome do país para Macedónia do Norte. A aprovação poderá desbloquear as objeções gregas à entrada da antiga república da Jugoslávia na NATO. “Não há como voltar atrás”, avisou já o primeiro-ministro macedónio Zoran Zaev

Várias publicações no Facebook instam os macedónios a queimar os seus boletins de voto. Centenas de novos sites apelam ao boicote. E uma notícia, amplamente partilhada, avisa que a Google pode eliminar o macedónio da sua lista de idiomas reconhecidos, dependendo do resultado da votação de 30 de setembro. Estas são algumas das situações reportadas na edição desta segunda-feira do jornal “The New York Times” (NYT).

Para as autoridades da Macedónia e do Ocidente, trata-se de desinformação dirigida por grupos apoiados pela Rússia que tenta alimentar receios e reduzir a participação numa votação que poderá colocar o país dos Balcãs no caminho para se juntar à NATO. E se as autoridades russas têm amplamente negado quaisquer interferências nas eleições europeias, a verdade é que não guardam segredo sobre a sua oposição à expansão da Aliança Atlântica, argumentando que o passo desestabilizaria os Balcãs.

A contraofensiva europeia e norte-americana não se fez esperar. O secretário da Defesa dos EUA, Jim Mattis, está esta segunda-feira na capital Skopje para demonstrar o apoio americano. A visita segue-se a outras três de relevo: as deslocações à Macedónia do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, da chanceler alemã Angela Merkel, e da alta representante da União Europeia para a Política Externa e a Segurança, Federica Mogherini.

O que há num nome? Uma possível entrada na NATO

O referendo do final do mês perguntará aos eleitores se pretendem acabar com uma disputa de três décadas com a Grécia ao mudarem o nome do país para Macedónia do Norte. A aprovação poderá desbloquear as objeções gregas à entrada do país no flanco ocidental. “Não há como voltar atrás”, avisou já o primeiro-ministro macedónio Zoran Zaev.

“Qualquer tentativa de impedir estes processos levará a República da Macedónia de volta a um estado de completa incerteza sobre o seu futuro, [n]uma sociedade em que os valores autoritários e a instabilidade podem ser reintroduzidos”, acrescentou o chefe do Governo. As autoridades macedónias acusam grupos online apoiados pela Rússia de fazerem proliferar artigos falsos e publicações no Facebook como forma de aumentar as divisões sociais e reduzir a participação no referendo.

Em janeiro do ano passado, o Congresso dos EUA alocou dinheiro para combater as campanhas de desinformação russas, incluindo oito milhões de dólares (cerca de 6,9 milhões de euros) especificamente para a Macedónia. Mas, de acordo com uma fonte que só aceitou falar ao NYT a coberto do anonimato, o dinheiro demorou mais de um ano a chegar e ainda não foi efetivamente usado. A mesma fonte alerta ainda que dois milhões de dólares adicionais, destinados a promover o Estado de Direito no país, que se debate com uma corrupção endémica, ainda não tinham chegado até agosto.