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“A morte de Berta Cáceres é um ataque às Honduras.” Julgamento da sua morte começa com investigação sob suspeita

ORLANDO SIERRA/GETTY IMAGES

Ativista que defendia direitos dos indígenas e que combatia o projeto de construção de uma barragem hidroelétrica foi assassinada em casa, em La Esperanza, no dia 2 de março de 2016. Relatório de advogados estrangeiros independentes indica que empresários e homens do Governo estarão por trás do crime

Quando Berta Cáceres foi assassinada em casa, em La Esperanza, há um ano e meio, o Presidente das Honduras declarou que aquele crime era um “ataque” ao país. O julgamento do homicídio da ativista hondurenha, que será controlado por advogados internacionais, começa esta segunda-feira, 929 dias depois da sua morte.

Oito homens estão acusados de terem participado no homicídio de Cáceres, uma ativista que defendia há anos os direitos dos indígenas e vinha lutando contra o projeto de construção de uma barragem hidroelétrica na região.

Advogados e a família Cáceres, no entanto, criticam o Governo pela forma como conduziu a investigação do crime, conta a Al Jazeera. Dizem que não há condições para arrancar com o julgamento, questionando ainda se os cérebros do crime terão sido detidos. Segundo um relatório, elaborado por advogados independentes de Estados Unidos, Guatemala e Colômbia, que avalia a investigação durante este ano e meio, há indícios de envolvimento no crime por parte de empresários e elementos do Governo, algo que não foi investigado a fundo, acusam.

A morte de uma das ativistas mais importantes da América Latina motivou muitas críticas da comunidade internacional e de outros Governos, que acusam o Executivo hondurenho de não ter protegido Berta Cáceres.

“A morte de Berta Cáceres é um ataque às Honduras, deve ser investigado e os culpados devem ser presentes à justiça. Exigimos isso”, escreveu na ressaca do crime Juan Orlando Hernández, o presidente hondurenho.

Cáceres foi assassinada no segundo dia de março de 2016, pouco tempo depois de se ter mudado para aquela casa. A ativista era intimidada constantemente: ameaças de morte e de violação, tanto a ela como à família. Naquele dia, oito homens terão entrado na sua casa e assassinado a tiro a hondurenha, nascida em La Esperanza em 1973.

Entre 2010 e 2014, mais de 100 ativistas foram assassinados nas Honduras.

  • Mataram Berta

    As intimidações eram constantes. Houve ameaças de morte, de violação e à família. Esta quinta-feira, Berta Cáceres foi morta a tiro em casa, nas Honduras - país onde foram assassinados mais de 100 ativistas entre 2010 e 2014. Berta passa a fazer parte desta lista de vítimas