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Um quarto dos diplomatas russos acreditados na Suíça serão espiões

Mikhail Svetlov/Getty Images

Mais de um quarto dos diplomatas russos acreditados na Suíça serão espiões, revela um documento confidencial do Governo helvético ao qual a comunicação social local teve acesso

Mais de um quarto dos diplomatas russos acreditados na Suíça serão espiões, revela um documento confidencial do Governo helvético ao qual a comunicação social local teve acesso.

Segundo noticiam os diários "Le Matin Dimanche" e "SonntagsZeitung", a Rússia é o país ao qual as autoridades suíças se referem no último relatório sobre segurança.

Nesse documento, que não menciona qualquer Estado em particular, as autoridades suíças alertam para a existência de espiões nas representações diplomáticas oficiais.

De acordo com os dois jornais citados, os serviços secretos suíços terão detetado agentes secretos russos com passaporte diplomático na embaixada de Berna e nos consulados de Zurique, Lausanne e Genebra.

Segundo as mesmas fontes, a maior fatia da atividade dos serviços de informações acontece em Genebra, onde se concentram organizações internacionais como as Nações Unidas.

Nos últimos dias, vieram a público informações sobre várias alegadas operações de espionagem russas na Suíça, sendo a mais destacada a que envolve o Laboratório de Spiez, organismo federal especializado em ameaças químicas, e a Agência Mundial Antidopagem, com sede em Lausanne.

As autoridades suíças confirmaram que estão a investigar a participação de dois alegados agentes secretos russos no ataque cibernético contra a Agência Mundial Antidopagem, que instruiu numerosos casos de dopagem entre atletas soviéticos, depois impedidos de representarem o seu país em competições internacionais.

A Agência Mundial Antidopagem concluiu que a dopagem dos atletas era promovida ao mais alto nível por entidades estatais russas.
Os dois alegados espiões que estão a ser investigados foram detidos há meses na Holanda, e posteriormente expulsos, acusados de preparar um ataque cibernético contra o Laboratório de Spiez, quando este analisava o agente neurotóxico com que foram envenenados o ex-espião russo Sergei Skripal e a sua filha.

Ambos sobreviveram ao ataque, mas o caso, ocorrido em março, na Inglaterra, deu origem a uma grave crise política e diplomática entre a Rússia e vários países ocidentais, provocando expulsão de diplomatas e aplicação de novas sanções económicas contra Moscovo.
O Laboratório de Spiez está também a investigar as denúncias de ataques com gases tóxicos na Síria e num centro de referência da Organização para a Proibição de Armas Químicas.

Na sexta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço -- que vai reforçar os requisitos para acreditar diplomatas estrangeiros -- convocou o embaixador russo no país para protestar contra as "tentativas de ataque" e exigir a Moscovo que ponha fim imediato às "atividades de espionagem" em território suíço.

Segundo o Le Matin Dimanche, a embaixada da Rússia na Suíça rejeitou as acusações, publicando uma mensagem na rede social Facebook: "Consideramos este género de investigações absurdas, não podem ser qualificadas doutra forma a não ser como uma nova tentativa de atiçar os humores contra a Rússia".