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Trump, segundo John Kerry: “A maturidade de um miúdo de 8 anos e a insegurança de uma adolescente”

ALEX BRANDON / AFP / Getty Images

O diagnóstico surgiu num programa televisivo onde o ex-secretário de Estado norte-americano foi promover um livro de memórias

Luís M. Faria

Jornalista

"Ele é o primeiro Presidente que conheço que passa mais tempo a ler os seus 'likes' no Twitter do que os seus briefings ou a Constituição dos Estados Unidos. Tem a maturidade de um miúdo de oito anos e a insegurança de uma adolescente".

Assim se referiu a Donald Trump o ex-secretário de Estado norte-americano John Kerry, durante uma entrevista no programa televisivo de Bill Maher na noite de sexta-feira. E acrescentou: "Infelizmente, temos um Presidente, literalmente, para quem a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade são três coisas diferentes, e nem sabemos o que elas são".

Como outros democratas que já estiveram no Governo, Kerry tem sido criticado por Trump no Twitter, e a maior parte das vezes não comenta. Desta vez, porém, Trump acusou-o por ter falado com funcionários iranianos após deixar o cargo. Kerry sentiu-se obrigado a explicar que isso não tem nada de anormal ou de impróprio.

O ex-secretário de Estado (durante a presidência de Barack Obama), que tem andado a promover as suas memórias, "Every Day is Extra" (Todos os Dias são Extra), também aconselhou Trump a ocupar-se de coisas que lhe dizem mais diretamente respeito: "A conversa com que ele devia realmente preocupar-se é a de Paul Manafort com Mueller".

Manafort, que foi diretor da campanha presidencial de Trump durante vários meses em 2016, fez há dias um acordo com Robert Mueller, o procurador especial que investiga as ligações da Rússia a essa campanha. Nos termos do acordo, Manafort reconheceu-se culpado de vários crimes de que é acusado –crimes relacionados com o lóbi não declarado a favor de políticos estrangeiros, sobretudo ucranianos, que ele fez durante anos. Nenhum desses crimes tem a ver com Trump ou a sua campanha.

Além da confissão, Manafort entregará ao Estado grande parte dos proventos obtidos, incluindo três residências de luxo (entre elas, um apartamento na Trump Tower). Mais importante que tudo, aceitou fornecer a Mueller todas as informações que este lhe peça sobre esses e quaisquer outros eventuais crimes. Nomeadamente os que tenham a ver com o assunto central que o procurador especial está a investigar.