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Internacional

Migrações. Ultranacionalista austríaco Strache critica política de Espanha

Heinz-Christian Strache e Matteo Salvini

JOE KLAMAR/Getty

Vice-chanceler austríaco classificou a atuação de Madrid como “uma catástrofe” para a União Europeia por ter alegadamente facilitado a entrada de imigrantes procedentes de África

O vice-chanceler austríaco e líder do partido ultranacionalista FPÖ, Heinz-Christian Strache, criticou nesta sexta-feira a política migratória do Governo espanhol, classificando-a como "uma catástrofe" para a União Europeia por ter alegadamente facilitado a entrada de imigrantes procedentes de África. Strache referiu-se a Espanha em declarações à imprensa em Viena, depois de se reunir com o ministro do Interior e vice-primeiro-ministro de extrema-direita italiano, Matteo Salvini, e defender a sua rígida posição contra o desembarque de migrantes.

"O Governo socialista de minoria em Espanha tomou, evidentemente, outro rumo, e mais ou menos as fronteiras foram abertas lá, o que, por sua vez, é uma catástrofe para a política da União Europeia (UE), mas mostra a divergência política", salientou, acrescentando que chegou a essa conclusão depois de "tudo o que se pôde ler na imprensa". "Uma coisa é evidente: desde que [o Governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez] está no poder, há problemas nas fronteiras externas [da UE]. Antes, não havia", declarou.

Antes, prosseguiu, "garantia-se de forma muito rígida a segurança das fronteira, também se expulsava [os imigrantes], [Espanha] tinha acordos com os países africanos" em relação aos quais "defendia claramente um ponto de vista rígido", frisou. Para o líder do Partido Libertal Austríaco (FPÖ), considerado xenófobo e eurocético, "é evidente" que o novo executivo espanhol não mantém a mesma linha política que o antecessor.

"Tivemos que assistir a assaltos a fossos de fronteiras e também a atos de violência contra a polícia espanhola e, segundo ouvi, a população espanhola também não ficou muito contente com estes episódios", observou. Por fim, o vice-chanceler austríaco expressou a esperança em que o Governo espanhol "mude a sua postura e seja também mais rígido".

Strache sublinhou a sua amizade "de muitos anos" com Salvini, bem como a afinidade da sua formação partidária com a Liga, de extrema-direita, liderada pelo político italiano, e anunciou que os dois partidos aprofundarão a sua cooperação com vista às eleições europeias agendadas para o final de maio de 2019.

Por seu lado, Salvini concordou com o anfitrião ao manifestar confiança em que a extrema-direita se fortalecerá nessas eleições para o Parlamento Europeu. "Nas eleições do próximo ano, mudaremos por completo a Europa e os socialistas desaparecerão dos Governos europeus", vaticinou. "Estamos a cooperar com muitos outros partidos, países e Governos para mudar a história deste continente em maio próximo", referiu.

Os dois políticos expressaram também o seu apoio ao primeiro-ministro húngaro, o também ultranacionalista Viktor Orban, e criticaram a votação de quarta-feira no Parlamento Europeu a favor da imposição de sanções à Hungria por considerarem que existe ali um risco de violação do Estado de Direito. "As sanções contra o povo e o Governo húngaros são uma loucura e um ato político da esquerda", sustentou Salvini, acrescentando uma convicção: "Dentro de alguns meses, governaremos com Orban".