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Ocre, cruzado, tracejado e (ainda) sem significado: este é o primeiro desenho conhecido feito pelo Homem

HANDOUT/ Reuters

Tem mais de 70 mil anos e foi encontrado numa gruta sul-africana. Está gravado numa lasca de quatro centímetros

Parece uma grelha desenhada – ou talvez para os mais novos uma espécie de hashtag – num tom ocre numa lasca de quatro centímetros de rocha. Foi na gruta de Blombos, a cerca de 300 quilómetros da Cidade do Cabo, na África do Sul, que foi encontrado aquele que é agora considerado o mais antigo desenho feito pelo Homem.

“Este é o primeiro desenho conhecido da história do Homem. O que significa? Não sei… Sei que para nós parece algo muito abstrato mas podia ter algum significado para as pessoas da sociedade tradicional que o produziu”, referiu Francesco d’Erric, investigador da Universidade de Bordéus, em França, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

Apesar de esta rocha já ter sido recuperada pelos arqueólogos há sete anos, foi sujeita a vários testes e só agora foi possível confirmar que os desenhos foram feitos por seres humanos. São apenas uma marcas numa tonalidade entre o castanho e o vermelho. Pela forma bruta como terminam as linhas, desenhadas com uma espécie de ‘lápis de ocre’, e as arestas da lascas, os investigadores acreditam que se trata apenas de uma parte de um desenho maior, tal como referem no artigo publicado na revista científica “Nature.”

“As linhas são deliberadas”, explicou Christopher Henshilwood, líder da investigação e diretor do Centro de Investigação para os Primeiros Comportamentos Sapiens da Universidade de Bergen, na Noruega. Para desenhar aquelas linhas era necessário “uma mão firme e aplicar o ocre de forma determinada para que ficasse com aquele aspeto”.

Nas mesmas escavações na gruta de Blombos, que começou a ser explorada em 1991, foi encontrado o mesmo padrão pintado em conchas, em pontas de lança, noutros pedaços de rocha. Em Klipdrift (a cerca de 160km) e em Diepkloof (a mais de 1000km) foram descobertas cascas de ovos de avestruz com o mesmo padrão desenhado.

As pinturas mais antigas até agora conhecidas têm, no máximo, 40 mil anos – enquanto esta terá entre 70 mil e 100 mil anos. Além disso, as anteriores são bem maiores, cobrem as paredes das cavernas em El Castillo (Espanha) e em Celebes, nas Grandes Ilhas da Sonda, na Indonésia.