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Há 13 mil anos já havia peritos em cerveja? Os natufianos podem bem ser os pais das bebidas alcoólicas

Philipp Guelland/ Getty Images

Numa gruta situada no território em que atualmente é Israel, os arqueólogos encontraram aquilo que acreditam ser instrumentos para fazer cerveja. Estas são as provas mais antigas da produção de bebidas alcoólicas pelo Homem

Os natufianos foram os primeiros a trocar um estilo de vida nómada por outro mais sedentário, foram também os primeiros a enterrar os mortos como hoje se faz e, agora, tudo indica que também foram os primeiros a fabricar cerveja. Arqueólogos da Universidade de Stanford descobriram provas com cerca de 13 mil anos, que acreditam estarem relacionadas com a produção de cerveja – embora com uma composição bem diferente da atual.

“É o registo mais antigo do mundo sobre o fabrico de álcool pelo Homem. A descoberta indica que a produção de álcool não era necessariamente apenas um resultado do excedente da produção agrícola, mas que foi, pelos menos em parte, desenvolvida com propósitos espirituais e necessidades espirituais, ainda antes da agricultura”, explica Li Liu, responsável pela investigação e professora de Arqueologia Chinesa na universidade norte-americana, ao portal de notícias de Stanford.

Os resultados desta descoberta foram publicados na edição de outubro do “Journal of Archaeological Science: Reports”. Além de perceberem que afinal as bebidas alcoólicas são mais antigas do que se pensava, os arqueólogos acreditam que a produção começou para que a cerveja fosse usada nos rituais de veneração dos mortos – aliás, os natufianos foram pioneiros nos enterros.

Mas quando se fala em cerveja, não é exatamente como hoje é conhecida: seria, muito provavelmente, uma mistura de vários ingredientes numa espécie de papa.

Os vestígios de equipamento para a produção de cerveja foram encontrados pelos arqueólogos numa gruta em território que hoje pertence a Israel. E só após a realização de análises em laboratório a equipa percebeu o que tinha em mãos.

Não pensávamos encontrar álcool nos almofarizes, só queríamos perceber que plantas as pessoas consumiam porque há muito pouca informação disponível nos registos arqueológicos”, sublinha Li Liu, que lembra que estes vestígios devem ter entre 11700 e 13700 anos. Ou seja, comparou, mais velhos do que as primeiras provas de produção de pão – encontrados também numa zona que era habitada pelos natufianos, na Jordânia, e têm entre 11600 e 14600 anos.

Até agora, julgava-se que o fabrico de álcool pelo Homem tinha começado há cerca de oito mil anos. Era para isto que apontavam as provas mais antigas, descobertas por arqueólogos há mais de 60 anos.