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Austrália. Criança de nove anos criticada por recusar levantar-se durante hino nacional

Harper Nielsen, cujo protesto lhe valeu um castigo e, segundo alguns relatos, a ameaça de suspensão da escola, considera que o hino apaga os povos indígenas da história do país. A líder do partido One Nation pediu que Nielsen fosse expulsa da escola e disse que os pais lhe deviam “dar um pontapé no traseiro”. A criança também foi apelidada de “malcriada”

Uma estudante australiana de nove anos tem sido alvo de críticas por parte de políticos depois de se ter recusado a levantar-se durante o hino nacional, argumentando que este retira os povos indígenas da história do país. Os pais de Harper Nielsen mostraram-se orgulhosos pelo protesto da filha, que lhe valeu um castigo e, segundo alguns relatos, a ameaça de suspensão da escola.

A senadora do estado de Queensland e líder do partido One Nation (Uma Nação), Pauline Hanson, publicou esta terça-feira um vídeo no Facebook, pedindo que Nielsen seja expulsa da escola e dizendo que os pais lhe deviam “dar um pontapé no traseiro”.

No Twitter, Jarrod Bleijie, membro do partido de centro-direita Liberal Nacional, também condenou o que apelidou de protesto “tonto” e exigiu que Nielsen se levantasse e cantasse “com orgulho” o hino nacional. Bleijie criticou os pais da criança, dizendo ser uma “vergonha” que a usem como “um joguete político”. “A recusa em levantar-se desrespeita o nosso país e os nossos veteranos. A suspensão deve ser o passo seguinte se ela continuar a agir como uma criança malcriada”, acrescentou.

Em entrevista à estação australiana 9News, Nielsen afirmou não ser alguém que respeita “as regras das pessoas mais velhas só porque são mais velhas”. Na sua opinião, quando o hino refere “somos jovens”, “desconsidera completamente os indígenas australianos que estavam aqui antes de nós há 50 mil anos”.

O caso de Nielsen insere-se num debate mais alargado que decorre na Austrália sobre a letra do hino nacional. No ano passado, houve apelos para que se fizesse uma versão que desse um maior reconhecimento aos povos indígenas. O grupo “Recognition in Anthem” lembra que a letra foi “escrita em 1878”, ou seja, “na era colonial”.