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Indústria norte-americana contra proteccionismo de Trump

Admininistração Trump aplica milhões em tarifas às importações

BENOIT TESSIER/Reuters

Cerca de 60 federações de vários setores económicos dos EUA lançam esta quarta-feira a “Americans for free trade”. A nova confederação vai investir mais de 3 milhões de dólares numa campanha de sensibilização com vista às eleições intercalares de novembro

Farta da política protecionista de Donald Trump e de uma guerra tarifária de milhares de milhões de dólares, a indústria dos Estados Unidos sai a terreno para sensibilizar o país e os parlamentares que vão concorrer a 6 de novembro aos 435 lugares da Câmara de Representantes e a 35 dos 100 lugares do Senado.

O presidente norte-americano tem ignorado os sucessivos apelos dos vários setores da economia em relação às consequências no tecido empresarial interno da doutrina do “America First” e ao ataque de Trump às organizações multilaterais. O Presidente dos EUA retirou os EUA do Acordo Transpacífico e continua a pôr em causa o mercado comum da América do Norte - que inclui o México e o Canadá. (NAFTA, na sigla em inglês), por exemplo.

A face mais visível deste protecionismo será talvez a guerra comercial que Washington desencadeou com a China e com a União Europeia e que para os analistas terá consequências imprevisíveis.

Só contra Pequim, a Administração Trump aplicou mais 50 mil milhões de dólares (cerca de €43 mil milhões) de tarifas sobre exportações chinesas para os EUA, sobretudo máquinas, componentes eletrónicos e semicondutores. Washington está a preparar-se para aplicar mais 200 mil milhões de dólares de taxas sobre bens de consumo. A China e a União Europeia não baixam os braços e Pequim promete retaliar à mesma escala.

Muitos grupos de interesse pensaram que a política alfandegária não ia durar tanto ou ir tão fundo, mas o efeito das taxas na indústria fez com que todos dissessem: Chega, é suficiente”, disse à Reuters, Nicole Vasilaros, a principal lobista da National Marine Manufacturers Association. Esta associação da indústria naval equaciona despedir trabalhadores devido a um aumento dos custos de produção que ronda os 35%.

Tem havido imenso trabalho nos últimos oito meses para tentar persuadir o Presidente e a Administração que a aplicação de tarifas alfandegárias não está a funcionar. Ainda não é tarde, do nosso ponto de vista”, disse também à Reuters Dean Garfield, o diretor-executivo do Information Technology Industry Council, organização que reúne os gigantes tecnológicos com a Alphabet (dona do Google), a Microsoft e a Apple, entre outros.

O American Petroleum Institute, que representa as maiores refinarias petrolíferas como a Exxon Mobil ou a Chevron, e a Associação dos Líderes Retalhistas, são algumas das organizações que integram a nova coligação empresarial. A “Americans for Free Trade” inclui ainda os representantes das principais cadeias de distribuição, gigantes industriais e agro-industriais, entre outros.

Segundo a Reuters, a nova coligação industrial elegeu como alvos prioritários os parlamentares Republicanos de cinco estados: Ohio, Pensilvânia, Illinois, Indiana e Tennessee, onde vai promover debates e sessões de esclarecimento, que ampliará a uma dúzia de estados até ao fim do ano.

A grande maioria dos eleitos republicanos não tem questionado a política comercial seguida pelo Presidente desde que tomou posse em 2016.