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Espanha. Cópia de teses, artigos científicos e páginas da Wikipédia em mestrado conduzem à demissão de ministra da Saúde

Pablo Blazquez Dominguez/GETTY

Em causa estão suspeitas de alteração de notas e irregularidades com a tese final do mestrado de Carmen Montón Giménez

Após 100 dias no Governo, a ministra da Saúde espanhola, Carmen Montón Giménez, anunciou na terça-feira a sua demissão na sequência de um escândalo com o mestrado. Em causa estão alegadas irregularidades na obtenção do grau académico, reveladas esta semana pelo jornal “El Diario”, nomeadamente alteração de notas.

“Fui transparente e honesta. Não cometi nenhuma irregularidade. Defendi a minha inocência com a toda a convicção e a consciência muito tranquila”, declarou Carmen Montón Giménez, na sua despedida do cargo.

A decisão da governante do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) – que ingressou na Juventude Socialista aos 16 anos, por influência do pai que sempre foi filiado no partido e teve funções numa concelhia local – surge depois de ter negado por diversas vezes as alegadas irregularidades e de o primeiro-ministro Pedro Sánchez ter garantido que Carmen Montón iria continuar com a pasta da Saúde.

“Pensava que ao entregar a tese final teria o mestrado concluído. Mas creio que uma pessoa que não fez nada irregular não tem que esconder nada”, declarou Carmen Montón à rádio Cadena SER.

Escândalo com obtenção de notas

Foi entre o fim de 2010 e junho de 2011, que a ex-ministra da Saúde, de 42 anos, frequentou o mestrado em Estudos Interdisciplinares de Género do Instituto de Direito Público da Universidade Rey Juan Carlos, que está a ser investigado devido a outros escândalos com a obtenção de notas. Apesar de os documentos mostrarem que Carmen Montón obteve aprovação em todas as disciplinas, a imprensa espanhola revela que alguém entrou no sistema informático da universidade e alterou a nota de pelo menos uma disciplina.

Sobre estas suspeitas, a governante socialista negou sempre responsabilidade, afirmando que “não tinha resposta” para essa questão, uma vez que estava fora da sua área de intervenção.

Mais: segundo o jornal “El País” não está em causa apenas a alteração de notas, mas alegadas irregularidades no trabalho final do mestrado. O diário espanhol refere que a monografia apresentava parágrafos e páginas inteiras de outras teses, artigos científicos e páginas da Wikipédia. Entretanto, a universidade confirmou que estão a ser analisadas as avaliações de Carmen Montón, o que terá influenciado a decisão da ex-governante.

A comissária para a luta contra a pobreza infantil, María Luisa Carcedo, será a nova ministra da Saúde espanhola, anunciou o Governo de Pedro Sánchez.

Acérrima defensora da igualdade

Licenciada em medicina, tal como as irmãs que herdaram da mãe a paixão pela Saúde, que foi gestora durante vários anos de um dos hospitais públicos de Valência, Carmen Montón manifestou também desde cedo interesse pela política, refere o “El Confidencial”.

Depois de passar pela Juventude Socialista, Montón foi concelheira do PSOE na autarquia de Burjassot, na província de Valência, lugar que já tinha sido ocupado pelo pai.

Já enquanto parlamentar e ministra da Saúde, Carmen Montón foi uma acérrima defensora da igualdade, nomeadamente lutou pela alteração da lei do aborto, pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo e pela proteção de crianças.