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Internacional

China diz que protecionismo é “risco muito sério” para crescimento e alerta “países individuais” contra isolacionismo

Hu Chunhua, vice-primeiro-ministro da China

Lintao Zhang/Getty Images

As declarações foram feitas pelo vice-primeiro-ministro Hu Chunhua no Fórum Económico Mundial, em Hanói, numa altura em que a disputa comercial com os EUA voltou a escalar. Num encontro que pretende discutir como as economias devem lidar com as “tecnologias disruptivas”, que ameaçam os empregos humanos, a China volta-se para o sudeste asiático

O vice-primeiro-ministro chinês Hu Chunhua disse esta quarta-feira que o protecionismo representa um “risco muito sério” para o crescimento e alertou “países individuais” contra o isolacionismo. As declarações foram feitas num encontro do Fórum Económico Mundial, em Hanói, capital do Vietname.

“As medidas protecionistas e unilaterais de alguns países estão a comprometer gravemente o regime multilateral de comércio baseado em regras. O autoisolamento não levará a lugar nenhum e apenas a abertura para todos representa o caminho certo”, afirmou, citado pela Agência France-Presse, mas sem nunca nomear diretamente o Presidente Trump ou os EUA.

Os alertas surgem numa altura em que se atingiu um novo marco na disputa comercial entre Washington e Pequim. Na semana passada, Trump ameaçou aplicar tarifas sobre todas as exportações da China para os Estados Unidos, avaliadas em mais de 500 mil milhões de dólares (mais de 432 mil milhões de euros), justificando que pretende proteger os empregos e as indústrias americanas da competição do exterior.

China volta-se para países do sudeste asiático

A escalada comercial entre os dois países tem sido seguida de perto no sudeste asiático, onde algumas economias voltadas para a exportação podem sair beneficiadas. Os custos crescentes com a mão-de-obra na China já pressionaram países como o Camboja e o Vietname, onde os ténis da Adidas ou os telefones da Samsung são feitos a baixo custo.

Contudo, a disputa comercial com os EUA acelerou o processo e várias empresas chinesas têm recorrido aos países da região para produzir itens como colchões ou peças de bicicletas.

Empregos humanos substituídos por “tecnologias disruptivas”. O que fazer?

O encontro do Fórum, que decorre até quinta-feira sob o lema “Empreendedorismo e a Quarta Revolução Industrial”, pretende focar-se nas formas como as economias se devem adaptar às chamadas “tecnologias disruptivas”, como a automação e a inteligência artificial, que ameaçam substituir os empregos humanos.

O Presidente indonésio Joko Widodo, o recém-eleito primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, e a conselheira de Estado de Myanmar, Aung San Suu Kyi, estão entre os líderes regionais convidados a participar no Fórum. Suu Kyi, cujas funções equivalem ao cargo de primeira-ministra, deverá falar na quinta-feira. No entanto, os organizadores não revelaram se abordará a decisão recente do Tribunal Penal Internacional de investigar a deportação forçada de 700 mil rohingya pelos militares de Myanmar.