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Bolsonaro confirma liderança no Brasil, seguido por um quarteto empatado

O ultradireitista Jair Bolsonaro foi esfaqueado anteontem em Juiz de Fora, Minas Gerais

FOTO RAYSA LEITE/EPA

A facada teve pouco impacto nas intenções de voto do candidato de ultra-direita, seguido, a alguma distância, por quatro concorrentes tecnicamente empatados. Sondagens das últimas 24 horas são díspares, mas convergem quanto ao crescimento de Fernando Haddad, que ontem substituiu Lula da Silva como candidato do PT.

Dois dos principais institutos de pesquisa brasileiros, o Ibope e oDatafolha, divulgaram sondagens esta segunda-feira e terça-feira que dão posições relativas diferentes a cada um dos candidatos devido a metodologias e tempos diferentes de trabalho de campo. Já sem qualquer cenário com Lula da Silva, em todas as pesquisas, Bolsonaro lidera as intenções de voto com cerca de 24%. Seguem-se-lhe o quarteto composto por Ciro Gomes(13%), Marina Silva (11%), Geraldo Alkmin (10%) e Fernando Haddad (9%), tecnicamente empatados entre si com um diferencial de dois pontos percentuais.

A pesquisa do Ibope, realizada entre sábado e esta segunda-feira – já depois do atentado a Jair Bolsonaro na quinta-feira passada em Juíz de Fora, Minas Gerais- confirma a liderança do candidato de ultra-direita. Ao contrário da previsão de muitos analistas que antecipavam um grande crescimento das intenções de voto , o ataque e posterior hospitalização de Bolsonaro não suscitou maiores empatias do eleitorado.

O capitão reformado cresceu dois pontos percentuais para 26% em relação à última sondagem, feira pelo Ibope entre 17 e 19 de agosto. Da mesma forma, a taxa de rejeição – um indicador quase tão importante como a de aprovação num sistema eleitoral a duas voltas – diminui de 44% para 41%, mantendo-se, no entanto, como a mais elevada de todos os concorrentes às eleições de 7 de outubro. Na hipótese de uma segunda volta, Jair Bolsonaro está entre os 35%-40% e aproxima-se dos seus adversários: menos 3% contra 40% de Ciro Gomes, candidato do PDT; ficaria a 1% dos 38% de Geraldo Alckmin, do PSDB e empataria com Marina Silva a 38%.
O único cenário em que o candidato da coligção “Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos”, formada pelo PSL e pelo PRTB, venceria seria contra Fernando Hadadd, o candidato do PT – 40% contra 36% do ex-prefeito de São Paulo.

Já na a sondagem do Datafolha para a TV Globo e para o “Folha de São Paulo” realizada e divulgada esta segunda-feira, Bolsonaro cresce de 22% para 24% das intenções de voto, mas perde contra qualquer dos principais candidatos na 2ª volta. O intervalo face aos dados recolhidos a 21 de agosto é o equivalente à margem de erro de dois pontos da mais recente sondagem, a primeira após a tentativa de homicídio de que Bolsonaro foi alvo na cidade de Juiz de Fora, estado de Minas Gerais. Quanto à rejeição, a taxa creceu de 39% para 43%.

Haddad sobe, Ciro e Alckmin mantêm e Marina cai
Porém, apesar dos enviesamentos, as duas sondagens convergem na tendência crescente do candidado do PT que quase duplicou as intenções de voto em duas semanas. Isto enquanto ainda não era o candidato oficial do PT, dado que não foi contabilizado pelas sondagens. Assim, o ex-prefeito de São Paulo mais do que duplica as intenções de voto (de 4%para 9%, no Datafolha; e de 4% para 8% no Ibope). Por aferir continua a capacidade da transferência de voto de Lula da Silva – que até ontem liderou as sondagens com cerca de 40% das intenções de voto. Os analistas consideram que Lula possa influenciar cerca de 40% dos seus eleitores a transferir o voto para Haddad. O que transforma o ex-prefeito de São Paulo num sério candidato à segunda volta, mantendo uma baixa taxa de rejeição em torno dos 22%.

Ciro Gomes, candidato do PSL, que poderá vir a ser o voto útil de centro-esquerda contra Bolsonaro - caso Marina Silva e Geraldo Alkmin não consigam singrar nas últimas semanas de campanha - quase não cresce, mas mantém o segundo lugar atrás de Bolsonaro. Para o Ibope, tem 11% (menos um ponto percentual) quanto para o Datafolha mais um p.p. para 12%.

O candidato do PSDB, Geraldo Alkmin manteve os mesmo 9%. Marina Silva, da Rede, é a candidadta mais penalizada neste momento ao baixar de 12% para 9%, segundo o Ibope, enquanto no Datafolha a queda é ainda mais acentuada: cinco pontos percentuais para 11%.