Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Venezuela. Bispos venezuelanos manifestam ao papa preocupações com a crise

Em Caracas, pensionistas fazem fila junto a uma agência bancária com o objetivo de levantar as suas poupanças

FEDERICO PARRA/Getty

Venezuela passou de “uma realidade de construção democrática para uma realidade com muitas deficiências democráticas, onde se pretendeu instaurar um sistema político totalmente diferente ao que está na Constituição”, afirmou o presidente da Conferência Episcopal da Venezuela

Os bispos venezuelanos transmitiram nesta terça-feira ao papa Francisco, durante uma audiência no Vaticano, as preocupações da Igreja Católica local relativamente à crise política, económica e social na Venezuela, que classificam como "inédita". O presidente da Conferência Episcopal da Venezuela (CEV), José Luís Azuaje Ayala, explicou, em conferência de imprensa, que foi uma oportunidade para transmitirem ao líder da Igreja Católica os problemas do país.

Azuaje Ayala afirmou que a Venezuela passou de "uma realidade de construção democrática para uma realidade com muitas deficiências democráticas, onde se pretendeu instaurar um sistema político totalmente diferente ao que está na Constituição". Azuaje Ayala disse ainda que os bispos abordaram com o papa os "presos políticos" e a situação "desumana" em que se encontram "pessoas que, por diferenças e por não seguirem o ritmo do Governo venezuelano, foram privadas de liberdade".

Os bispos consideram que um dos piores problemas da Venezuela é a fome "que muitos negam e disfarçam", mas também a elevada inflação "que deteriora qualquer margem que possam ter os trabalhadores" e que levou à interrupção do abastecimento de bens, à especulação e à deterioração do sistema de saúde. Como consequência, muitas pessoas foram forçadas a emigrar, assinalaram os bispos, que sublinharam os esforços de países como a Colômbia, Peru, Chile, Equador, Argentina e Brasil para "atender aos venezuelanos".

A Igreja Católica tem como objetivo apoiar as pessoas que ficam e que "sofrem com tantas calamidades", prosseguiu. O presidente da CEV considerou que "o papa conhece bem a situação venezuelana", adiantando que, durante a audiência, os incentivou a manterem-se próximos do povo. "Sei que estão próximos do povo e peço-lhes ... não se cansem dessa proximidade... e obrigada pela resistência", disse, o papa Francisco aos bispos durante o referido encontro, segundo escreveu a Conferência Episcopal de Venezuela (CEV), na rede social Twitter.

Azuaje Ayala pediu ainda que a Venezuela abra "um canal de ajudas de solidariedade" para que os bispos possam receber "alimentos e medicamentos" dos países que queiram ajudar. A audiência privada com o papa, que se prolongou durante mais de duas horas, realiza-se no âmbito da visita que as conferências episcopais realizam a cada cinco anos ao Vaticano e que, no caso da venezuelana, decorre desde 06 de setembro.