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Tsipras: Grécia deixou de ser parte do problema para ser parte da solução

SAKIS MITROLIDIS/GETTY

Chefe do Governo helénico garante que a Grécia está do lado certo da “barricada”, pois sempre se manteve europeísta, “apesar de alguns terem maltratado o povo grego”

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou esta terça-feira, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que "a Grécia deixou de ser parte do problema e passou a ser parte da solução" para os grandes desafios com que a Europa se confronta.

Tsipras, que foi o nono líder europeu a discursar no hemiciclo de Estrasburgo no quadro do ciclo de debates do Parlamento Europeu sobre o futuro da Europa, alertou para a importância das próximas eleições europeias, agendadas para maio de 2019, afirmando que a Europa assistirá a "uma batalha de princípios e de valores", na qual a Grécia estará do lado das forças "progressistas, democráticas e pró-europeias".

"Nesse combate, todas as forças progressistas, democráticas e pró-europeias devem encontrar-se do mesmo lado da História e não deixar a Europa regressar ao passado", defendeu, advertindo para o perigo da subida da extrema-direita e dos populismos, "uma grande ameaça que paira sobre a Europa", que alguns insistem em subestimar, e que atribuiu às políticas "neoliberais", o outro "inimigo" que identificou nas eleições de 2019.

Alexis Tsipras garantiu que a Grécia está do lado certo da "barricada", pois sempre se manteve europeísta, "apesar de alguns terem maltratado o povo grego", e apontou mesmo o seu país como "parte da solução da Europa, quando há três anos era parte do problema".

O primeiro-ministro grego referiu que a Grécia não só conseguiu ultrapassar a crise, concretizada com a saída em agosto passado do seu terceiro programa de assistência financeira, como, ao mesmo tempo, "suportou com dignidade a crise das migrações", dando mostras de solidariedade no acolhimento de refugiados, "enquanto outros erguiam muros", e tornou-se "uma referência" de estabilidade e mediação política no Mediterrâneo oriental e Balcãs Ocidentais.

Relativamente à conclusão do terceiro "resgate" de que o seu país foi alvo, Tsipras admitiu sentir orgulho por ter sido o seu Governo a conseguir retirar a Grécia dos programas de ajuda externa, "após os anteriores executivos terem falhado", mas garantiu que o grande feito foi tê-lo conseguido "defendendo os mais frágeis da sociedade".

"Mostrámos que é possível realizar reformas e ultrapassar a crise sem quebrar o tecido social", declarou Tsipras, que voltou a deixar críticas aos erros cometidos nos anteriores programas, "do lado dos anteriores governos gregos, mas também das instituições", que nos dois "resgates" anteriores insistiram em políticas de austeridade que levaram a um ciclo de recessão e paralisação da economia grega.

Concluído o terceiro programa, garantiu que a Grécia "prosseguirá uma política orçamental responsável", centrada num "crescimento justo e proteção do trabalho".