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Internacional

Tiro de partida para mais um aperto de mão entre Trump e Kim

Encontro histórico entre Kim Jong-un e Donald Trump, a 12 de junho, no Hotel Capella, na ilha de Sentosa, Singapura

SAUL LOEB / AFP / Getty Images

Enquanto o processo de desnuclearização da Península Coreana marca passo, Kim Jong-un quer voltar a encontrar-se com Donald Trump. Os Estados Unidos estão recetivos

Margarida Mota

Jornalista

A Casa Branca confirmou a receção de uma carta “muito calorosa” e “muito positiva” de Kim Jong-un solicitando um segundo encontro com Donald Trump. Em conferência de imprensa, a porta-voz Sarah Sanders afirmou, esta segunda-feira, que os EUA estão “abertos” a um novo encontro entre os líderes norte-coreano e norte-americano, que já começou a ser preparado.

Kim e Trump encontraram-se, pela primeira vez, a 12 de junho, em Singapura — foi o primeiro encontro de sempre entre líderes dos dois países. Dessa cimeira, saiu um compromisso no sentido da “completa desnuclearização” da Península Coreana, cuja concretização caiu num impasse. A 24 de agosto, Donald Trump cancelou uma deslocação do seu secretário de Estado norte-americano a Pyongyang alegando falta de progressos.

“Pedi ao secretário de Estado Mike Pompeo para não ir à Coreia do Norte, nesta altura, porque sinto que não estamos a fazer progressos suficientes em relação à desnuclearização da Península Coreana”, justificou Trump no Twitter.

A porta-voz Sarah Sanders deitou água na fervura recordando recentes sinais de boa fé dados pela Coreia do Norte: o fim dos testes com armas nucleares e mísseis balísticos, a libertação de três prisioneiros norte-americanos, a devolução dos restos mortais de soldados dos EUA que tombaram durante a Guerra da Coreia e o facto de, na parada militar de domingo passado — alusiva ao 70.º aniversário da Coreia do Norte —, Pyongyang não ter feito desfilar mísseis balísticos com capacidade para atingir os EUA.

Segundo a publicação sul-coreana “The Korea Times”, o que está a emperrar a relação é o facto de Washington exigir “um inventário total do arsenal nuclear de Pyongyang”, enquanto a Coreia do Norte insiste prioritariamente “na declaração formal do fim da Guerra da Coreia de 1950-53, que terminou com um armistício”.

Mas enquanto a relação EUA-Coreia do Norte marca passo, na frente intercoreana o diálogo intensifica-se. Entre 18 e 20 de setembro, o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, estará em Pyongyang para mais uma cimeira com o homólogo norte-coreano. Será a terceira em cinco meses: a primeira realizou-se a 27 de abril e a segunda a 26 de maio, ambas na aldeia fronteiriça de Panmunjom, na zona desnuclearizada entre as duas Coreias.