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Mulheres devem abandonar métodos contracetivos, diz Presidente da Tanzânia

Daniel Hayduk/AFP/Getty Images

“Não querem trabalhar muito para alimentarem uma família grande e é por isso que optam por [métodos] de controlo de nascimentos e acabam com apenas um ou dois filhos”, disse John Magufuli. A população do país ronda os 53 milhões, com praticamente metade das pessoas a viver com menos de dois dólares por dia. Em média, uma mulher tem mais de cinco filhos, um valor que se situa entre as mais altas taxas no mundo

O Presidente da Tanzânia, John Magufuli, pediu às suas concidadãs que parem de tomar pílulas contracetivas, dizendo que o país precisa de mais pessoas. O pedido foi feito no domingo num comício no norte da Tanzânia, tendo o chefe de Estado acrescentado que as pessoas que usam métodos de planeamento familiar são preguiçosas.

“Não querem trabalhar muito para alimentarem uma família grande e é por isso que optam por [métodos] de controlo de nascimentos e acabam com apenas um ou dois filhos. Já viajei para a Europa e para outros lugares e vi os efeitos prejudiciais do controlo da natalidade. Alguns países enfrentam agora um declínio no crescimento populacional”, disse Magufuli, citado pelo jornal local “The Citizen”.

O deputado da oposição Cecil Mwambe criticou as declarações do Presidente, sublinhando que contradizem a política de saúde do país. Se Magufuli quisesse que os seus comentários fossem levados a sério, deveria mudar o plano de seguro de saúde para abranger 10 crianças por família em vez das atuais quatro, acrescentou Mwambe.

As pílulas, a educação e as pestanas e unhas postiças

Já em 2016 o Presidente tanzaniano tinha feito comentários idênticos. Ao lançar o ensino primeiro e secundário gratuitos, disse: “As mulheres podem agora atirar fora os seus contracetivos. A educação agora é grátis”. No ano passado, propôs que as alunas grávidas fossem impedidas de retomar os estudos depois do parto.

A população da Tanzânia ronda os 53 milhões, com praticamente metade das pessoas a viver com menos de dois dólares (1,72 euros) por dia. Em média, uma mulher tem mais de cinco filhos, um valor que se situa entre as mais altas taxas no mundo.

Um dia depois das polémicas declarações de Magufuli, o presidente do Parlamento, Job Ndugai, proibiu as deputadas de usarem pestanas e unhas postiças, invocando razões de “saúde”. Os novos regulamentos também as proíbem de usar vestidos curtos ou calças de ganga, sendo que as visitantes do Parlamento também têm de respeitar este código de vestuário.