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Ministra da Saúde espanhola demite-se por alegadas irregularidades em mestrado

Pedro Sánchez

Pacific Press/Getty

Em causa estão alegadas irregularidades na obtenção de um mestrado no Instituto de Direito Público da Universidad Rey Juan Carlos, instituição que já reconheceu que as notas do mestrado da ministra foram alteradas

A ministra da Saúde espanhola, Carmen Montón, anunciou nesta terça-feira a sua demissão do Governo devido a alegadas irregularidades na obtenção de um mestrado, apesar de o primeiro-ministro ter defendido a sua continuidade poucas horas antes.

"Os espanhóis e espanholas têm um magnífico Presidente do Governo e para que esta situação não tenha influência, comuniquei ao Presidente a minha demissão como ministra da Saúde, Consumo e Bem-Estar Social", disse Montón, numa declaração à imprensa na sede do Ministério da Saúde, que começou com mais de 30 minutos de atraso face à hora inicialmente prevista (20:45 em Madrid, menos uma hora em Lisboa).

Em causa estão alegadas irregularidades, noticiadas esta segunda-feira pelo diário espanhol diario.es, na obtenção de um mestrado no Instituto de Direito Público da Universidad Rey Juan Carlos (URJC), instituição que já reconheceu que as notas do mestrado da ministra foram alteradas e anunciou que iria rever "disciplina por disciplina" para averiguar como isso aconteceu e apurar responsabilidades.

Segundo o jornal digital, Carmen Montón não passou em todas as disciplinas até junho de 2011, e que pelo menos em relação a uma disciplina houve, em novembro desse ano, uma alteração no sistema informático, passando de "não apresentado" a "aprovado", apesar de as atas do curso estarem encerradas, à época.

Na sua declaração ao início da noite, Carmen Montón reiterou que não cometeu qualquer irregularidade no mestrado, que tirou entre 2010 e 2011 e enquanto era deputada, e afirmou que tem estado disponível para dar "toda a informação". "Fui transparente e honesta. Como tenho reiterado, não cometi nenhuma irregularidade. Vou continuar a defendê-lo com toda a convicção e com a consciência muito tranquila", sustentou.

A governante recordou algumas das medidas alcançadas nos 100 dias de mandato, desde que o socialista Pedro Sánchez chegou ao poder, no sentido de "recuperar a assistência de saúde universal" e de lançar as "bases de medidas fundamentais na recuperação de direitos". "Creio que é um bom balanço para os primeiros 100 dias. Há muito por fazer, mas estou convencida que o Governo de Pedro Sánchez vai fazê-lo", acrescentou.

A ministra socialista começou por negar quaisquer ilegalidades, mas os pedidos de demissão subiram de tom, incluindo do interior do PSOE, ao longo do dia. A decisão da ministra surge escassas horas depois de o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ter afirmado aos jornalistas que Carmen Montón continuaria à frente do Ministério da Saúde, onde está a "fazer um extraordinário trabalho".

O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, já lamentou a demissão de Carmen Montón, que considerou que "poderia ter sido uma boa ministra", mas defendeu que a sua saída do executivo era inevitável, alegando que "este Governo não pode parecer-se com o PP". As supostas irregularidades da ministra socialista somam-se a outros casos polémicos que têm como denominador comum a Universidade Rei Juan Carlos de Madrid e que estão a ser investigados pela Justiça.

A ex-presidente da Comunidade Autónoma de Madrid Cristina Cifuentes, do Partido Popular (PP, direita), demitiu-se em 25 de abril último depois de um mês a defender a legalidade do seu mestrado em Direito Autonómico e em que sustentou que cumpriu todas as condições para obter o diploma.

Por outro lado, uma magistrada considerou que existem "indícios de responsabilidade penal" na obtenção por parte de Pablo Casado, presidente do PP, do seu mestrado em Direito Autonómico em 2008-2009, e decidiu em 06 de agosto último transferir o caso para o Supremo Tribunal por se tratar de uma pessoa com jurisdição específica.

Esta foi a segunda demissão do Governo de Pedro Sánchez, depois de Màxim Huerta ter estado apenas sete dias no Ministério de Cultura e Desporto, por fuga ao fisco entre 2006 e 2008.