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Lula da Silva passa testemunho a Fernando Haddad esta terça-feira

FOTO DOMINGOS TADEU/AFP/Getty Images

Preso desde abril, o antigo Presidente brasileiro vai permitir que o Partido dos Trabalhadores anuncie Haddad como o seu candidato às eleições de 7 de outubro. Uma carta de Lula será lida aos apoiantes que estão há cinco meses acampados no exterior do estabelecimento prisional. A transferência de apoio de Lula para Haddad já começou a produzir efeitos, subindo de 4% para 9% nas sondagens

O ex-Presidente do Brasil Lula da Silva, preso desde abril, vai permitir esta terça-feira que o Partido dos Trabalhadores (PT) anuncie Fernando Haddad como o seu candidato às eleições de 7 de outubro. A informação foi avançada à agência Reuters por duas fontes que pediram para não ser identificadas por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre os planos de Lula.

Lula esperava que o Supremo Tribunal concordasse com um recurso que pedia mais tempo para trocar o cabeça de lista do PT depois de, no início do mês, o principal tribunal eleitoral do país ter proibido a sua candidatura devido a uma condenação por corrupção. Foram-lhe dados 10 dias para retirar o seu nome.

Haddad vai tornar-se o candidato oficial através de um anúncio no exterior da sede da Polícia Federal de Curitiba, onde Lula se encontra a cumprir uma pena de 12 anos de prisão por ter recebido subornos. Apesar dos recursos ainda pendentes no tribunal, Lula terá decidido que estava na altura de passar o testemunho a Haddad no prazo estabelecido pelo tribunal para não correr o risco de os votos na candidatura do PT serem anulados pelo tribunal eleitoral.

Carta de Lula será lida aos apoiantes acampados há cinco meses

Um dirigente do partido revelou que a carta de Lula a anunciar Haddad como candidato será lida aos apoiantes que estão há cinco meses acampados no exterior do estabelecimento prisional em protesto contra a prisão do antigo Presidente. Segundo eles, a prisão de Lula é uma conspiração para o impedir de regressar ao poder. Na segunda-feira à tarde, Haddad encontrou-se com Lula na sua cela para começarem a redigir a carta, revelou ainda o militante do PT.

Presidente do Brasil entre 2003 e 2011, Lula é inelegível para as próximas eleições por causa da Lei da Ficha Limpa, que proíbe, entre outros cenários, que um candidato concorra durante oito anos se tiver sido condenado, mesmo que ainda exista a possibilidade de recurso.

Haddad já começou a subir mas Bolsonaro continua destacado na frente

A estratégia de Lula tem sido aguentar a sua candidatura o máximo de tempo possível para depois transferir o seu apoio para Haddad, que é pouco conhecido em muitas partes do Brasil. Uma sondagem do Datafolha, divulgada na segunda-feira, mostrava que essa transferência já começou a produzir efeitos: o apoio a Haddad aumentou de 4% para 9%, o que representa o maior ganho entre os 13 candidatos ao Palácio do Planalto.

O líder de extrema-direita Jair Bolsonaro lidera as sondagens com 24%, estando ainda internado no hospital depois de, na semana passada, ter sido esfaqueado durante um comício. O candidato continua “em estado grave” e será submetido a uma nova cirurgia de “grande porte”, segundo um boletim médico.

  • Jair Bolsonaro. Facada provocou uma lesão hepática grave

    Quando chegou a notícia de que o candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, tinha sido esfaqueado, a sua família disse que os ferimentos não eram sérios. Mas, afinal, Bolsonaro teve que ser operado aos ferimentos sofridos em vários órgãos vitais, entre os quais uma lesão hepática grave. "Chegou ao hospital com uma pressão de 10/3, quase morto", disse o seu filho nas redes sociais

  • É possível votar num número dois “a pensar em Lula”?

    A partir da cela, Lula da Silva entrou de rompante numa eleição presidencial em que se joga “a legitimidade da política institucional e o próprio Estado como promotor da ordem social”. No fim, “quem perde é a justiça”. A jogada de Lula e do seu PT pode ter alguns riscos mas também parece ser a única possível. Lula e Bolsonaro representam “duas ideias de país totalmente opostas”. Resultado: o Brasil está partido ao meio