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Aliado de Tsipras no Governo grego ameaça romper coligação se for votado acordo com Macedónia

Panos Kammenos

Nicolas Koutsokostas/Getty

Líder dos Gregos Independentes vai propor ao primeiro-ministro Alexis Tsipras a convocação de um referendo sobre o acordo também na Grécia, à semelhança da consulta que vai decorrer na Macedónia em 30 de setembro

O líder dos Gregos Independentes, Panos Kammenos, parceiro menor de Alexis Tsipras na coligação de Governo em Atenas, disse nesta terça-feira que vai romper a aliança caso seja aprovado no parlamento o acordo entre a Grécia e a Macedónia sobre o futuro nome do país vizinho. "Se o acordo chegar ao parlamento, não temos o mandato popular para continuar no Governo", disse hoje Kammenos, líder do partido da direita soberanista Anel (Gregos Independentes) e ministro da Defesa.

Kammenos emitiu estas declarações numa conferência de imprensa em Salónica, capital da região da Grécia com o mesmo nome, onde se concentram o maior número de críticos a uma solução sobre o nome do país vizinho que inclua a designação de "Macedónia". O líder do Anel anunciou hoje que vai propor ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, líder do partido de esquerda Syriza, a convocação de um referendo sobre o acordo também na Grécia, à semelhança da consulta que vai decorrer na Macedónia em 30 de setembro.

Em 17 de junho, os chefes das diplomacias macedónia, Nikola Dimitrov, e grega, Nikos Kotzias, assinaram o Acordo que estabelece o novo nome de "República da Macedónia do Norte" ao pequeno país dos Balcãs, a nível nacional e internacional. Desde a independência em 1991, e devido ao contencioso com Atenas, esta ex-república jugoslava era designada nos fóruns internacionais por Antiga República Jugoslava da Macedónia (FYROM, na sigla inglesa). A aproximação entre os dois países vizinhos deverá permitir a Skopje desencadear o processo de integração na UE e na NATO, que permanecia bloqueado pelos gregos.

Kamenos anunciou ainda que caso Tsipras recuse a proposta de referendo, pedirá o adiamento da votação no parlamento grego até que sejam cumprindo os quatro anos de mandato, que terminam no outono de 2019. "Este acordo é totalmente oposto às nossas posições. Nisto não podemos recuar, e nunca recuaremos", assegurou o líder nacionalista, que no entanto, considerou "muito honesta" a cooperação com Tsipras no Executivo de Atenas.

O acordo assinado entre Atenas e Skopje prevê que no caso de sucesso no referendo de 30 de setembro na Macedónia, será necessária uma reforma constitucional nesta ex-república jugoslava, e ainda uma votação no parlamento helénico, que deveria ocorrer no início de 2019.