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Internacional

Venezuela. Assessores de Trump tiveram “reuniões secretas” com militares rebeldes

YAMIL LAGE/GETTY

As reuniões secretas começaram no outono do ano passado e tiveram continuidade este ano, segundo o jornal “The New York Times”

Assessores do Presidente norte-americano terão tido "reuniões secretas" com militares rebeldes venezuelanos, em 2017, acabando Donald Trump por não apoiar uma suposta conspiração para derrubar Nicolás Maduro, noticiou no domingo o jornal "The New York Times" (NYT).

Segundo o diário nova-iorquino, os militares, que já tinham procurado acesso direto à administração norte-americana, durante a presidência de Barack Obama, disseram representar centenas de milhares de oficiais das Forças Armadas Venezuelanas, que estavam insatisfeitos com o "autoritarismo de Maduro".

As reuniões secretas começaram no outono do ano passado, tiveram continuidade este ano, e os militares venezuelanos, segundo o "NYT", pediram rádios codificados, para comunicações mais seguras, "enquanto desenvolviam um plano para instalar um governo de transição para administrar o país, até que fosse possível realizar eleições".

O material pretendido, porém, não foi fornecido, e os planos desintegraram-se após a detenção de vários "conspiradores", pelas autoridades venezuelanas.

O jornal nova-iorquino, que diz ter falado com funcionários da casa Branca e um excomandante militar venezuelano, envolvidos nos contactos, precisa que o representante dos EUA nas reuniões não esteva autorizado a negociar "nada de substancial sobre o terreno", embora os militares venezuelanos esperassem receber também orientação e ideias.

Entre os rebeldes, segundo o "NYT", encontravam-se membros das forças de segurança que Washington identifica com vários crimes, da tortura de presos políticos ao tráfico de droga e à colaboração com as FARC da Colômbia, identificada como organização terrorista pelos EUA.

O Governo venezuelano já reagiu à notícia do "NYT", vinculando os EUA com o atentado falhado do passado dia 4 de agosto, contra Nicolás Maduro, e convocou, para terça-feira, uma marcha contra o imperialismo.

"O Governo dos EUA reconhece ter tido pelo menos três reuniões com militares golpistas para dar um golpe de Estado (...). O magnicídio em grau de frustração foi dirigido pelo imperialismo. Quem tem dúvidas?", disse esta segunda-feira o número dois do chavismo e também presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello.

No dia 4 de agosto, duas explosões, que as autoridades venezuelanas dizem terem sido provocadas por dois 'drones' (aparelhos aéreos não tripulados), obrigaram o Presidente da Venezuela a abandonar rapidamente a cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), que estava a decorrer em Caracas.

Pelo menos 43 pessoas foram detidas, entre as quais vários militares.