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Trump volta a criticar livro de Bob Woodward e diz que vai escrever “o verdadeiro livro” sobre a sua Presidência

Win McNamee/Getty Images

Bob Woodward, o jornalista do “Washington Post” que assina o livro sobre a presidência de Donald Trump, ainda não se deu por afetado e garante ter tentado contactar o Presidente norte-americano para marcar uma entrevista. Sobre o artigo de opinião publicado pelo “New York Times”, afirmou em entrevista que nunca usaria um relato como aquele, em que não se percebe se quem escreve “testemunhou ou participou de facto nos eventos relatados”. Artigo é “demasiado vago”, criticou

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Donald Trump, Presidente norte-americano, continua empenhado na sua luta contra o livro “Fear: Trump in the White House”, que será publicado já nesta terça-feira e que revela que a Casa Branca se encontra numa espécie de “esgotamento nervoso”. Desta vez, ameaçou que poderá mesmo vir a escrever “o verdadeiro livro” sobre a presidência.

“O livro de Woodward é uma piada. É apenas um novo ataque no meio de tantos que já me fizeram, só que desta vez recorrendo a fontes não identificadas e anónimas”, escreveu Trump no Twitter esta segunda-feira de manhã, acrescentando que muitos daqueles cujo nome aparece mencionado no livro já vieram dizer “que as frases que lhes são atribuídas são ficção, tal como é ficção o livro”. “Os democratas não sabem perder. Irei escrever o verdadeiro livro [sobre a Casa Branca]”, disse ainda o Presidente norte-americano.

Em “Fear: Trump in the White House”, Bob Woodward, jornalista do “Washington Post” que, juntamente com o colega de redação Carl Bernstein revelou o escândalo “Watergate” nos anos de 1970, dá conta de um “golpe de Estado administrativo” preparado por uma equipa que pretende minimizar os danos de uma presidência impreparada e diz que a Casa Branca está numa espécie de “esgotamentos nervoso; também refere que alguns dos homens mais próximos de Trump, como John Kelly, chefe de gabinete, e James Mattis, secretário de Estado da Defesa, têm por hábito retirar do alcance do Presidente norte-americano determinados documentos oficiais por não confiarem que ele será capaz de tomar decisões acertadas relativamente a esses dossiers.

Ainda segundo o livro, esses mesmos conselheiros de topo terão usado termos pejorativos para se referirem a Trump - Mattis tê-lo-á comparado a “um miúdo do 5.º ou 6.º ano” e Kelly ter-lhe-á chamado “idiota sem freio”. Tanto um como outro já negaram ter dito isto. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, que já teve acesso a um exemplar do livro, Bob Woodward esclarece a páginas tantas que as “entrevistas foram conduzidas sob o acordo de usar a informação cedida para contextualização”, esvaziando assim a crítica de Trump de que o jornalista terá recorrido a fontes anónimas. “Isto significa”, continua Woodward, que “toda a informação pode ser usada, simplesmente não será revelado quem disse o quê”.

Bob Woodward diz ainda que Trump “rejeitou ser entrevistado para o livro”, tendo o “Washington Post” entretanto divulgado a gravação de uma conversa entre Presidente e autor em que este insiste que tentou vezes sem conta marcar uma entrevista com Trump e em que Trump diz não ter recebido qualquer pedido. No domingo, Kellyanne Conway, conselheira da Casa Branca, admitiu ter recebido os pedidos de entrevista mas - e por razões que não esclareceu devidamente - não os ter feito chegar ao Presidente norte-americano.

Bob Woodward diz que nunca usaria informação

No mesmo dia, e em entrevista à “CBS”, Bob Woodward afirmou que se alguém da Casa Branca ou da administração de Trump o procurasse para partilhar as mesmas informações que constam do artigo de opinião anónimo publicada na semana passada pelo “New York Times”, ele diria que não aceitaria usar essas informações a não ser que a pessoa revelasse mais detalhes sobre os eventos relatados, identificando nomeadamente outras pessoas que os terão testemunhado.

“Não faço ideia de quem terá escrito o artigo, mas é muito importante saber-se quem foi, saber se foi alguém que testemunhou ou, pelo contrário, se participou de facto nos eventos ali relatados”, disse o jornalista durante a entrevista, descrevendo o referido artigo de opinião, em que se afirma que há uma “resistência” silenciosa em Washington para travar as ideias e políticas de Trump consideradas mais danosas, como “demasiado vago”. Também o comparou ao seu livro, garantindo que na sua obra “tanto as datas como participantes estão bem documentados”.

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    Bob Woodward, o jornalista de 75 anos que, com outros jornalistas do "The Washington Post", revelou o escândalo Watergate, virou a sua lente para a Casa Branca de Donald Trump e, pelos olhos dos seus homens mais próximos, traça um retrato negro sobre o dia a dia da Administração norte-americana. Desde ofensas diretas ao Presidente passando pelo roubo literal de documentos da sua secretária para proteger a segurança nacional, acontece de tudo um pouco, por estes dias, na Casa Branca