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Extrema-direita cresceu na Suécia. Não tanto como o esperado mas o suficiente para lançar o caos

Jimmie Åkesson, líder do partido de extrema-direita Democratas Suecos

Michael Campanella/Getty Images

Os Democratas Suecos são agora a terceira maior força política no país. A coligação chefiada pelo atual primeiro-ministro conseguiu 40,6% dos votos, enquanto a coligação conservadora obteve 40,3% e os Democratas Suecos 17,6%. O líder do partido de extrema-direita espera exercer “enorme influência no que acontece nas próximas semanas, meses e anos”. Em causa estará sobretudo a imigração

As eleições deste domingo abriram um período de incerteza na Suécia com o crescimento dos Democratas Suecos, um partido anti-imigração com raízes na supremacia branca que se tornou a terceira força política no país, e um empate entre os dois maiores partidos da esquerda e da direita tradicionais.

Com quase todos os resultados apurados, a coligação chefiada pelo atual primeiro-ministro (formada pelos Partido Social-Democrata, Partido Verde e Partido da Esquerda) conseguiu 40,6% dos votos, enquanto a coligação conservadora (Partido Moderado, Partido do Centro, Partido Liberal e democratas-cristãos) obteve 40,3%. Os Democratas Suecos arrecadaram 17,6% dos votos.

Na nova configuração do Riksdag, os partidos de centro-esquerda ficam com 144 assentos parlamentares, apenas mais dois do que os partidos da coligação de centro-direita, num total de 349. Os Democratas Suecos conseguem 63 assentos, um avanço significativo que representa mesmo o maior de sempre de qualquer partido no Parlamento sueco (em 2014, tinham conseguido 12,9% dos votos e 49 assentos).

“Enorme influência no que acontece nas próximas semanas, meses e anos”

Apesar do resultado significativo que conseguiu conquistar, o partido de extrema-direita ficou aquém de muitas sondagens que previram que os Democratas Suecos viessem a tornar-se a maior força política do país. A meta pessoal do líder Jimmie Åkesson, que pretendia conquistar 20% ou mais dos votos, também não foi atingida. Contudo, não deixou de cantar vitória: “Vamos ganhar enorme influência no que acontece na Suécia nas próximas semanas, meses e anos”, disse.

Åkesson espera que o seu partido, que quer que a Suécia abandone a União Europeia e pretende travar a imigração, possa desempenhar um papel decisivo nas negociações para a formação de um Governo. E não perdeu tempo: já desafiou Ulf Kristersson, o líder da coligação de direita, a escolher entre procurar apoios junto dos Democratas Suecos para um Governo de Aliança ou aceitar mais quatro anos de governação do primeiro-ministro Stefan Löfven.

Coligação de direita diz 'não' à extrema-direita e à esquerda

Apesar de ter pedido a Löfven que renunciasse, Kristersson rejeitou a proposta de Åkesson. “Fomos completamente claros durante toda a eleição. A Aliança não irá governar ou discutir como formar um Governo com os Democratas Suecos”, garantiu. Por seu turno, o primeiro-ministro disse que não renunciaria e pediu a cooperação entre os partidos para se resolver o impasse político.

“Não há uma maioria. Por isso, é apenas natural trabalhar além da divisão política para tornar possível governar a Suécia”, afirmou Löfven. Mas está lançado o suspense sobre o futuro da política sueca. Com as formações tradicionais de esquerda e de direita tão próximas – separadas apenas por dois assentos no Riksdag –, preveem-se semanas de incerteza antes da formação de um Governo funcional.

Segundo a agência Reuters, Löfven poderá manter-se no poder a menos que a Aliança aceite algum tipo de acordo dos Democratas Suecos. Apesar de ter recusado esse apoio, a verdade é que a coligação de direita também pôs de lado um entendimento com o bloco da esquerda sueca. As duas forças protagonizaram nas últimas décadas um confronto que parece inviabilizar qualquer hipótese de entendimento.

O voto entre a imigração e o bem-estar dos suecos

Os Democratas Suecos, que andam a ser evitados pelos restantes partidos desde que entraram no Parlamento em 2010, prometem agora fazer abanar qualquer Governo que se recuse a dar-lhes a palavra na discussão, sobretudo das políticas de imigração. Durante a campanha, Åkesson dramatizou a importância destas eleições: o voto entre a imigração e o bem-estar dos suecos.

Na sequência de uma campanha atipicamente áspera, um dos países mais liberais da Europa virou à direita, dando mais votos a quem defende políticas anti-imigração. Em 2015, a chegada de 163 mil requerentes de asilo – a maior em toda a Europa tendo em conta a população de 10 milhões – sacudiu os eleitores para pólos opostos e quebrou um consenso político de longa data.

Apesar de o número de refugiados ter caído de forma acentuada desde então, os níveis recorde de chegada de migrantes há três anos aprofundaram as preocupações com o sistema de segurança social na Suécia, que muitos eleitores já acreditam estar em crise.