Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Estradas bloqueadas na Guatemala para manter missão da ONU contra corrupção

JOHAN ORDONEZ/Getty

Manifestantes da comunidade indígena do departamento de Solola (oeste da Guatemala) agitaram cartazes exigindo a renúncia do chefe de Estado Morales e a continuação da missão da Comissão das Nações Unidas contra a Impunidade na Guatemala

Milhares de membros de uma comunidade indígena no oeste da Guatemala bloquearam nesta segunda-feira três importantes eixos rodoviários do país para exigir que o governo mantenha a missão das Nações Unidas contra a corrupção no país. A Comissão das Nações Unidas contra a Impunidade na Guatemala (CICIG, na sigla em inglês) está encarregada de investigar o alegado financiamento ilegal da campanha eleitoral do Presidente Jimmy Morales em 2015.

Outras organizações camponesas, estudantis e indígenas também se comprometeram a bloquear as estradas e a manifestar-se nos próximos dias para protestar contra a decisão do Presidente Morales de recusar a renovação do mandato da CICIG e de declarar 'persona non grata' o seu chefe, o antigo juiz colombiano Ivan Velasquez. Os manifestantes da comunidade indígena do departamento de Solola (oeste da Guatemala) agitaram cartazes exigindo a renúncia do chefe de Estado Morales e a continuação da missão da CICIG.

"O povo exige a renovação do mandato (da CICIG) para continuar o desmantelamento da corrupção dentro da administração do Estado", segundo um comunicado da comunidade indígena. Os representantes desta comunidade chegaram à capital para tentar um diálogo com Morales e fazê-lo voltar atrás na sua decisão, disse aos jornalistas o dirigente maia Samuel Saloj.

O Presidente Morales interditou, na semana passada, o território guatemalteco ao chefe da CICIG, quatro dias após ter anunciado que não renovaria o mandato da missão da ONU, que expira em setembro de 2019. Mesmo que Ivan Velasquez não possa entrar na Guatemala, continuará a dirigir a CICIG a partir do exterior, advertiu o secretário-geral da ONU, António Guterres.

A CICIG, recém-formada recentemente pela justiça guatemalteca, pediu o levantamento da imunidade do Presidente Morales, no contexto da investigação do financiamento alegadamente ilegal da sua campanha eleitoral. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Guatemala, Sandra Jovel, exigiu hoje à comunidade internacional que respeite a soberania do país.

Desde 2007, a CICIG tem investigado casos importantes de corrupção, tráfico de droga e branqueamento de capitais.
Uma dessas investigações, relacionada com uma grande fraude alfandegária, levou à demissão, em 2015, do Presidente Otto Perez, abrindo caminho à eleição de Jimmy Morales. O antigo Presidente, acusado de ser o chefe da rede da fraude aduaneira, está atualmente em prisão preventiva e ainda não conseguiu a libertação por motivos médicos.