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Internacional

Começou campanha para o referendo sobre alteração do nome da Macedónia

Acordo entre a Grécia e a Macedónia sobre o novo nome deste país foi celebrado em junho passado

MAJA ZLATEVSKA/Getty

Macedónios vão votar uma proposta sobre a alteração do nome da antiga república jugoslava para “Macedónia do Norte”, com o objetivo de encerrar o longo contencioso com a vizinha Grécia e membro da NATO

A campanha para o referendo de 30 de setembro na Macedónia sobre a alteração do nome do país começou nesta segunda-feira, uma decisão que permitirá ao pequeno Estado balcânico aderir à NATO e iniciar o processo de integração na União Europeia (UE). Os macedónios vão votar uma proposta sobre a alteração do nome da antiga república jugoslava para "Macedónia do Norte", com o objetivo de encerrar o longo contencioso com a vizinha Grécia e membro da NATO, que considera a utilização do termo "Macedónia" como uma reivindicação face à sua província do norte com o mesmo nome.

A alteração proposta tem suscitado fortes críticas nos dois países vizinhos, com os opositores dos dois lados a acusarem os seus governos de demasiadas concessões face à outra parte. O presidente do parlamento macedónio, Talat Xhaferi, líder de um partido albanês que integra a coligação no poder, exortou recentemente os responsáveis políticos a promoverem uma campanha "transparente, direta, sem discriminação, sem preconceitos, e no respeito por cada cidadão".

A pergunta incluída nos boletins de voto é mais inclusiva: "Apoia a adesão à União Europeia e à NATO ao aceitar o acordo entre a República da Macedónia e a República da Grécia?". A oposição considerou a frase "uma manipulação". As sondagens apontam para uma provável aceitação do acordo pelos eleitores e a alteração no nome do país para "República da Macedónia do Norte", mas ainda permanece a dúvida sobre a taxa de participação, que terá de alcançar os 50% para que a consulta seja validada.

Os líderes ocidentais que visitaram Skopje na semana passada, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel, para alem de responsáveis da administração norte-americana, exortaram os macedónios a apoiar o acordo. "Esta é uma oportunidade histórica que para esta geração apenas surge uma vez. Não fiquem em casa, agarrem a oportunidade democrática para dizer o que pensam sobre o futuro do vosso país", disse Merkel na semana passada durante uma conferência de imprensa conjunta na capital macedónia com o seu homólogo Zoran Zaev.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, também exortou os macedónios a aprovarem o acordo com a Grécia, ao assinalar que é a única forma de o país se juntar à NATO. "A ideia de que existe um caminho alternativo caso rejeitem o acordo sobre o nome com a Grécia e possa garantir a adesão à NATO é uma total e absoluta ilusão", avisou Stoltenberg.

O principal partido conservador da oposição VMRO-DPMNE e o Presidente macedónio, Gjorge Ivanov, têm repetido que o objetivo estratégico da Macedónia consiste na adesão à NATO e UE, mas opõem-se ao acordo com a Grécia por considerarem que contraria os interesses nacionais do país.

Pelo contrário, Zaev exprimiu otimismo sobre os resultados do referendo. "A União Europeia e a NATO estão perante nós. É esse o nosso objetivo neste último percurso da estrada que construímos juntos desde a independência", disse Zaev durante uma ação na noite de domingo na cidade de Bitola (sudoeste), antes do início oficial da campanha.

"Este é o nosso futuro, este é a nossa escolha e a nossa decisão de 30 de setembro vai garantir o nosso lugar na UE e na NATO".
Um total de 64 pequenos partidos políticos e associações cívicas estão envolvidos na campanha contra o acordo, unidos numa frente da oposição designada "A Macedónia boicota". O acordo com a Grécia foi assinado em junho, e também implica uma alteração da Constituição macedónia.

O passo final para o país aderir à NATO será a ratificação do acordo pelo parlamento grego, que apenas decorrerá quando terminar o processo eleitoral e as eventuais alterações legislativas no país vizinho.