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Pence e os planos de afastar Trump do poder: “Não. Nunca. Porque faria isso?”

Win McNamee/ Getty Images

Dias depois de ter sido publicada uma opinião anónima no “New York Times”, que diz ser a resistência da Casa Branca, o vice-Presidente norte-americano negou o envolvimento no caso, bem como a hipótese de estar a ser discutida a 25.ª emenda da Constituição, que permite a afastar os Presidentes da liderança

“Demitir [o Presidente] dos seus poderes e deveres.” Este é um dos mecanismos previstos na 25.ª emenda da Constituição dos EUA. Em que circunstâncias pode ser evocada? Quando o Presidente “não consegue cumprir os seus poderes e deveres”. Quem pode evocá-la? O vice-presidente com o apoio da maioria dos secretários de Estado. O que acontece depois? O vice torna-se Presidente. Ora, Mike Pence é o vice e, segundo o artigo anónimo publicado pelo "New York Times", houve discussões sobre a utilização da 25.ª emenda na Casa Branca. Posto isto, Mike Pence foi quase imediatamente apontado como suspeito. Mas Pence jura que não: “Nunca. Porque faria isso?”

“É apenas uma tentativa óbvia para distrair as atenções do boom da economia e o recorde de sucesso [do Presidente] ”, considerou Pence sobre a opinião sem autor publicada na semana passada que revela que dentro da Casa Branca se falou no recurso à 25.ª emenda, possibilidade essa entretanto afastada.

Após a publicação do artigo, Pence comentara o assunto no Twitter – como já vem sendo habitual nesta administração – e agora pela primeira vez, e depois de ter sido apontado nas redes sociais e também nos maios de comunicação como um forte candidato, o vice respondeu a perguntas sobre o tema.

Este domingo, em entrevista ao programa “Face of the Nation”, da CBS, negou tudo e garantiu que ninguém está a tentar tirar Donald Trump do poder. “Mas o que posso dizer? É uma desgraça. Acho que o autor e, francamente, também o 'New York Times' deviam ter vergonha.”

Questionado se não haveria possibilidade de ter sido alguém da sua equipa a escrever o artigo, Pence voltou a negar. “Estou 100% confiante que ninguém da equipa do vice-Presidente está envolvido neste editorial anónimo. Conheço os meus funcionários. Acordam todos os dias e são dedicados, tanto como eu, a promover a agenda do Presidente e a apoiar tudo o que o Presidente Trump está a fazer pelas pessoas deste país”, assegurou.

Apesar da confiança demonstrada no seu pessoal, Pence não deixou claro se os questionou ao não. Justificou apenas que não tem de o fazer porque os conhece. “Sei a sua dedicação e estou absolutamente confiante que ninguém do gabinete do vice-Presidente tem algo que ver com isto”, insistiu. E depois defendeu que, independentemente de quem seja, o autor se deveria demitir. Essa seria, na sua opinião, “a coisa honrada a fazer”.

Alex Wong/ Getty Images

A 25.ª emenda da Constitição pode ser evocada pelo vice-Presidente com o apoio de oito secretários de Estado. Assim, segundo explica a “Vox”, a qualquer momento conseguem derrubar o Presidente. No entanto, o chefe de Estado pode ripostar. Isso já implica uma votação do Congresso e a decisão é tomada consoante os deputados. Para manter o vice no lugar do Presidente, são necessários dois terços da maioria de cada uma das casas (Senado e Câmara dos Representantes). Caso contrário, o Presidente mantém-se em funções.

Esta emenda nunca foi evocada.

Na quarta-feira, o jornal norte-americano publicou um artigo de opinião anónimo que critica abertamente Donald Trump, ali descrito como amoral, “anti comércio e antidemocrático”, e as suas decisões “imaturas, mal informadas e ocasionalmente imprudentes”. O texto dá conta de um movimento de “resistência”, formado por “funcionários da sua administração” e não por “figuras políticas da esquerda”, que pretende anular algumas das políticas do Presidente norte-americano consideradas mais gravosas. Foi a primeira vez que o “New York Times” publicou um artigo de opinião anónimo, tendo justificado a abertura deste precedente com a necessidade de “dar uma perspetiva importante” aos seus leitores.

Entretanto, Mike Pence, num comunicado publicado no Twitter, garantiu que é de seu hábito assinar todos os artigos de opinião e que o jornal deveria “sentir vergonha, assim como a pessoa que escreveu o artigo falso, sem lógica e cobarde”. “O nosso gabinete está acima de tais atos amadores”, acrescentou.