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O dia em que Kim Jong-un não exibiu os mísseis de longo alcance (e o ator Gérard Depardieu esteve lá)

Alexander Demianchuk/ Getty Images

A Coreia do Norte fez 70 anos. Como foi celebrada a data? Com um desfile. Passaram militares, artilharia, tanques. Tudo isto esteve no desfile que assinalou o aniversário do país. Mas nada de mísseis de longo alcance – aqueles que estiveram na origem das sanções internacionais

Não se sabe ao certo se Kim Jong-un discursou no 70º aniversário da Coreia do Norte, que se assinalou este domingo. Sabe-se, no entanto, que o tradicional desfile militar durou uma hora e meia e que expôs todo o armamento norte-coreano. Bom, quase todo. Desta vez ficou algo por mostrar: os mísseis de longo alcance, aqueles que motivaram as sanções internacionais ao país.

Segundo a agência de notícias France-Presse, centenas de militares desfilaram, armas, tanques e mísseis de média distância foram expostos na cerimónia, que foi transmitida pela televisão estatal. E entre a assistência na parada na praça Kim Il Sung, em Pyongyang, estava o ator francês (naturalizado russo, entretanto) Gérard Depardieu.

O ator Gérard Depardieu no meio da assistência

O ator Gérard Depardieu no meio da assistência

SEBASTIEN BERGER/ Getty Images

Os especialistas em relações diplomáticas, ouvidos pelos meios de comunicação internacionais, referem que mostrar os mísseis de longo alcance – que já tantas vezes foram testados e, segundo os norte-coreanos, são capazes de atingir território norte-americano – poderia ser entendido como uma provocação. Este foi o primeiro desfile após o encontro entre Kim Jong-un e Donald Trump, em que foi assinado o acordo que prevê a desnuclearização do país.

“A Coreia do Norte disse que quer a desnuclearização até ao fim do primeiro mandato de Trump. Tendo em conta este otimismo e com todos os sinais claros, seria pouco provável que a Coreia do Norte comprometesse todo o processo com a exposição dos mísseis”, explicou Se-Woong Koo, editor da revista coreana Korea Expose, citado pela Al Jazeera. Portanto, foi uma espécie de mensagem de compromisso enviada para Moon JAe-in, presidente da Coreia do Sul, Xi Jinpin, presidente da China, e Donald Trump, presidente dos EUA.

A CNN escreve que este ano o desfile foi menor do que nos anos anteriores (habitualmente, a Coreia do Norte aproveita o aniversário da fundação do país e o do líder para fazer enormes paradas militares).

Primeiro, passaram os militares, que surgiram vestidos com uniformes de épocas diferentes, desde 1948 até ao atual. Depois da demonstração do poderio militar – que incluiu aviões e fumos coloridos -, as centenas de norte-coreanos que assistiam entraram na praça e tornaram-se parte do desfile: agitaram bandeiras no ar com mensagens de apelo à união das Coreias. Com flores no ar, gritavam: “Vida longa ao líder”.

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Até o tema deste ano da celebração foi na direção da união. Kim Jong-un escolheu “A Península da Coreia” como mote do desfile. Talvez também porque no final deste mês, o presidente sul-coreano vai ser recebido e vai participar numa cimeira em Pyongyang.

Entre os convidados que viram o desfile junto de Kim Jong-un esteve o chefe do parlamento chinês, Li Zhanshu. Os dois aceraram à multidão que os saudava. Estiveram ainda representantes de alguns países que mantêm relações diplomáticas próximas do regime norte-coreano.

Os presidentes da China e da Rússia, Xi Jingping e Vladimir Putin, enviaram mensagens de felicitações ao líder norte-coreano Kim Jong-un, informou agência estatal de notícias KCNA.

“O Partido [Comunista] e o Governo chinês dão a máxima prioridade às relações de amizade e cooperação entre a China e a República Popular Democrática da Coreia, e à política firme para defender, construir e desenvolver com sucesso relações bilaterais”, referiu o Presidente chinês numa mensagem publicada pela KCNA, a Agência Central de Notícias da Coreia.

Já Vladimir Putin sublinhou na mensagem enviada a Kim a importância de aprofundar os laços e promover a paz na região. Acredita ainda que “o diálogo bilateral e a cooperação construtiva em várias áreas serão melhorados graças aos esforços conjuntos”, o que contribuirá para fortalecer a estabilidade e a segurança na península coreana e no nordeste da Ásia.