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Internacional

Centenas de pessoas condenadas no Egito pelas manifestações de 2013

Fotojornalista Mahmoud Abu Zeid

MOHAMED HOSSAM/EPA

Julgamento em massa de 739 pessoas foi “extremamente injusto”, uma “paródia grotesca da justiça” e uma violação da Constituição egípcia, acusa a Amnistia Internacional. Egito atribuiu pena de morte a 75 pessoas e prisão perpétua a 47, na sequência das manifestações pró-Morsi, derrubado pelo exército há cinco anos depois de ter sido democraticamente eleito

O tribunal criminal do Cairo, no Egito, confirmou este sábado a atribuição da pena de morte a 75 pessoas e de prisão perpétua a 47, pelo seu envolvimento nas manifestações de apoio ao ex-Presidente Mohammed Morsi, derrubado pelo exército um mês depois de ter sido democraticamente eleito em 2013 e substituído pelo atual Presidente Abdel Fatah al-Sisi.

Entre os condenados incluem-se membros do grupo Irmandade Muçulmana (considerada uma “organização terrorista” pelo Governo do país), como o seu guia supremo, Mohammed Badie, condenado a prisão perpétua. Também o fotojornalista Mahmoud Abu Zeid foi condenado a cinco anos de prisão (e mais cinco de liberdade condicional) por fotografar as manifestações anti-Governo, sublinha “The New York Times”.

Setenta e cinco pessoas já tinham sido condenadas à morte em julho, mas o anúncio da sentença para as restantes tinha ficado agendado para este sábado, noticia a BBC.

Os condenados são acusados de ofensas à segurança, nas quais se incluem incitamento à violência, assassinato e danos de propriedade. O Governo diz que os manifestantes estavam armados e que mataram agentes militares e da polícia, que - por sua vez - parecem ter um tratamento especial: no início do ano, o Parlamento do Egito atribuiu imunidade aos militares pela repressão mortal e os crimes cometidos entre julho de 2013 e janeiro de 2016.

Na perspetiva da Amnistia Internacional, o julgamento em massa de 739 pessoas foi “extremamente injusto”, uma “paródia grotesca da justiça” e uma violação da Constituição egípcia. E, como recordava recentemente, “nem um membro das forças de segurança do Egito”, responsáveis pela morte de cerca de 900 pessoas durante as manifestações, “foi responsabilizado pelo massacre de al-Rabaa”.