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Trump pediu ao fotógrafo da sua inauguração para editar as imagens. Era preciso mais gente

MANDEL NGAN/ Getty Images

Donald Trump e o seu então secretário de imprensa, Sean Spicer, pressionaram o Serviço Nacional de Parques para que as fotografias publicadas pelo organismo, que monitoriza manifestações no National Mall, relativas ao dia da inauguração da sua presidência fossem editadas para mostrarem mais pessoas do que aquelas que de facto assistiram ao evento

Um profissional contratado pelo Serviço Nacional de Parques para tirar fotografias oficiais da inauguração da presidência de Donald Trump teve que editar, mediante ordens do próprio, o seu trabalho, para que a multidão presente em Washington nesse dia parecesse maior do que foi na realidade.

Segundo informações recentemente divulgadas ao diário “The Guardian”, que interpôs um pedido de informação oficial, o fotógrafo recortou o espaço em branco, onde não existia audiência, para parecer que havia mais gente a assistir à inauguração. E a edição foi feita a pedido de Donald Trump, que, na primeira manhã da sua presidência, se mostrou irritado com as fotografias que mostravam uma multidão muito mais pequena na sua inauguração do que aquela que tinha assistido à de Barack Obama, em 2009.

Como escreve o jornal britânico, foi este o primeiro momento em que se começou a perceber que Donald Trump não sabia lidar com ataques ao seu ego. Pouco depois das fotos serem divulgadas, a Casa Branca, através do ex-secretário de comunicação Sean Spicer, diria que a multidão na inauguração de Trump era “a maior de sempre”, quando não foi. O próprio Presidente ligou para o Serviço Nacional de Parques a pedir fotografias mais “abonatórias”, coisa que Spicer também fez, repetidamente, todo o dia 21 de janeiro.

O “The Guardian” não conseguiu saber, pelos relatórios divulgados, quais as fotos editadas e se estão ou não em posse da Casa Branca.

Uma funcionária do departamento de imprensa do Serviço Nacional de Parques, que não é identificada nos documentos, ficou com a impressão de “que o Presidente Trump queria ver fotografias onde houvesse mais pessoas na multidão porque as que estávamos a enviar tinham muitas áreas em branco”.

Outros dois funcionários estiveram em contacto com a equipa de Trump nesse dia e ambos dizem no relatório terem contactado o fotógrafo para entender se ele podia enviar mais fotografias. Isto porque, refere um desses funcionários, Spicer ligou a pedir “imagens que representem de forma mais justa o tamanho da multidão”. O próprio fotógrafo, cujo nome é omitido dos documentos aos quais o “The Guardian” teve acesso, confirma que recebeu ordens para editar as fotografias segundo as ordens dos homens de Trump - coisa que fez.

Não há números oficiais relativos às duas últimas inaugurações, mas há outros que ajudam a perceber a discrepância entre os números de Obama e os de Trump. Por exemplo, no dia 20 de janeiro de 2017, tinham viajado no metro em direção ao local da cerimónia 193 mil pessoas. No dia em que Obama tomou posse, até às 11 da manhã, tinham o número atingiu 513 mil. Mas são as fotos e os vídeos desse dia, tirados de vários ângulos, que mostram a diferença.

Por exemplo, na inauguração de Trump há bancadas inteiras sem ninguém, coisa que não aconteceu a Obama. Vídeos em que o tempo aparece acelerado, como o que aqui publicamos em baixo, também mostram que não houve uma altura daquele dia em que a multidão tivesse ocupado a totalidade do espaço. No fim de semana seguinte, a Marcha das Mulheres voltou a ocupar todo o National Mall.